A disputa pelo Governo da Paraíba tem sido apontada como uma das mais acirradas dos últimos anos, com nomes como Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho entre os principais concorrentes ao Palácio da Redenção. Com o objetivo de traçar um histórico dessas eleições, o Polêmica Paraíba organizou um especial sobre os grandes protagonistas, partidos e como a população votou nos pleitos estaduais desde 1982. Abaixo, um resumo dos resultados e dos episódios mais relevantes entre 1994 e 2002.

1994

A disputa de 1994 englobava 5 candidaturas: Djacy Lima (PMN), Francisco Evangelista (PPR), Avenzoar Arruda (PT), Antônio Mariz (MDB) e Lúcia Braga (PDT).

Com a saída conturbada de Ronaldo do governo em razão do Caso Gulliver, o MDB lançou o senador Antônio Mariz como candidato ao governo em 1994. Mariz já havia concorrido ao governo em 1982, quando perdeu para Wilson Braga (PDS) por mais de 150 mil votos. Em 1978, foi preterido por Tarcísio Burity na indicação da Arena; após a volta do pluripartidarismo, participou da fundação do Partido Popular, que foi incorporado ao MDB em fevereiro de 1982.

Eleito senador em 1990, Mariz também ficou conhecido por atuar como relator do processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992. A eleição de 1994 se caracterizou pela polarização entre MDB e PDT, com a deputada federal Lúcia Braga, esposa do ex-governador Wilson Braga, como principal adversária de Mariz. Lúcia era a favorita nas pesquisas, mas uma polêmica envolvendo o médico e empresário Gessner Caetano, coordenador de sua campanha, 17 dias antes da votação, acabou prejudicando sua candidatura.

No primeiro turno Mariz obteve 525.396 votos (46,59%), enquanto Lúcia Braga somou 489.006 votos (43,37%). No segundo turno, Mariz ampliou a vantagem e venceu com 781.349 votos (58,30%) contra 558.947 votos (41,70%) de Braga. Antônio Mariz tomou posse em 1 de janeiro de 1995, mas faleceu em 16 de setembro do mesmo ano em decorrência de um câncer; o vice José Maranhão assumiu o cargo.

1998

A disputa de 1998 englobava 5 candidaturas: Marcelino Rodrigues (PSTU), Pastor César (PMN), José Valadares (PRP), Gilvan Freire (PSB) e José Maranhão (MDB).

Após assumir o governo na sequência da morte de Mariz, José Maranhão se tornou o candidato natural do grupo governista diante da possibilidade de reeleição. A aliança dentro do MDB, entretanto, se deteriorou em 21 de março de 1998, quando Ronaldo Cunha Lima, em evento no Clube Campestre em Campina Grande, criticou Maranhão por suposto descumprimento de acordos políticos e por negligenciar a cidade. O desentendimento levou o clã Cunha Lima e seus aliados a migrar para o PSDB, com Ronaldo articulando a candidatura de Cássio Cunha Lima.

Com a fragmentação do grupo opositor e apoio consolidado, José Maranhão venceu a eleição de 1998 com desempenho expressivo, obtendo pouco mais de 80% dos votos naquele pleito.

2002

A disputa de 2002 englobava 6 candidaturas: Maria José Mendes (PGT), Lourdes Sarmento (PCO), Alexandre Arruda (PSTU), Avenzoar Arruda (PT), Roberto Paulino (MDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB).

Em 2002, José Maranhão renunciou ao governo para disputar uma vaga ao Senado. O vice Roberto Paulino assumiu o cargo e foi escolhido como candidato do MDB à reeleição. Roberto Paulino acumulava experiência como prefeito de Guarabira em dois mandatos e como deputado estadual e federal.

O principal adversário foi Cássio Cunha Lima, deputado federal e ex-prefeito de Campina Grande, filiado ao PSDB após o racha com Maranhão. Cássio liderou as pesquisas e confirmou a dianteira no primeiro turno, com 752.297 votos (47,20%), contra 637.239 votos (39,98%) de Paulino.

No segundo turno, Paulino recebeu apoio do PT — que estava fortalecido com a projeção nacional da candidatura de Lula — e também o de Wilson Braga, que havia apoiado Cássio no primeiro turno e migrou para o palanque de Paulino no segundo. Apesar do avanço do emedebista, Cássio Cunha Lima foi eleito em um segundo turno disputado, obtendo 889.922 votos (51,35%) contra 843.127 votos (48,65%) de Roberto Paulino.

Esses pleitos marcaram o fim de uma década de disputas com mudanças de comando, divisões partidárias e reviravoltas eleitorais na política paraibana.

Com informações de Polemicaparaiba