Brasília, 21 de dezembro de 2025 — Reunidos neste domingo (21), os presidentes dos países que compõem o Mercosul divulgaram nota oficial em que manifestam “desapontamento” com a União Europeia pela ausência de consenso interno no bloco europeu sobre o acordo de livre-comércio negociado há mais de duas décadas. No mesmo dia, em Washington, o governo dos Estados Unidos confirmou a apreensão de um segundo petroleiro de bandeira venezuelana, ampliando a tensão entre os dois países.
MERCOSUL
Na declaração final da cúpula, lida ao término dos encontros em formato híbrido, os líderes do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai afirmaram que as tratativas com a União Europeia continuam travadas por “falta de entendimento político” entre os 27 Estados-membros europeus. Sem detalhar quais pontos permanecem pendentes, o documento frisa que o Mercosul esperava avançar ainda em 2025, mas, diante do cenário atual, decidiu não estabelecer novo prazo para a conclusão do pacto.
Os presidentes sul-americanos também optaram por não fazer qualquer menção à situação interna da Venezuela no texto. O silêncio foi interpretado como estratégia para evitar mais controvérsia no momento em que o bloco busca consenso externo para o tratado comercial. Autoridades que acompanharam as discussões disseram que o assunto chegou a ser citado de forma isolada, mas foi retirado da versão final para “preservar a unidade”.
VENEZUELA E ESTADOS UNIDOS
Enquanto o Mercosul divulgava sua posição, o Departamento de Justiça norte-americano anunciou a interceptação de um segundo navio carregado de petróleo venezuelano. A embarcação foi retida na costa — a localização exata não foi divulgada — e escoltada até porto sob jurisdição dos EUA para “verificação de conformidade”, segundo nota oficial. A ação ocorre poucas semanas após um primeiro petroleiro ter sido confiscado em condições semelhantes.
O governo dos Estados Unidos não informou o volume do carregamento nem detalhou as razões jurídicas que embasaram a apreensão, limitando-se a confirmar que o navio navegava sob bandeira venezuelana e que a operação contou com apoio de órgãos federais. Caracas ainda não se pronunciou sobre o novo incidente.
Com os dois movimentos paralelos — a frustração do Mercosul com a União Europeia e o endurecimento norte-americano contra ativos venezuelanos —, o domingo abriu a semana com tensão renovada nas frentes diplomática e comercial que envolvem a América do Sul.
Com informações de Paraibaonline



