A psicóloga Thamara Lucena, 31 anos, recebeu alta apenas sete dias após passar por um transplante de coração realizado em 25 de novembro no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, em João Pessoa. A rapidez incomum da recuperação foi atribuída ao Protocolo Eras (Enhanced Recovery After Surgery), conjunto de práticas adotado pela unidade que integra a rede própria da Unimed João Pessoa.
Diagnosticada em maio, durante a segunda gravidez, com miocardiopatia periparto — doença rara que enfraquece o músculo cardíaco —, Thamara enfrentou parto prematuro e, em seguida, entrou na lista de espera por um novo órgão. “Quando conto que já estou retomando as atividades depois de um transplante cardíaco, as pessoas se surpreendem”, relatou.
Como funciona o protocolo
O Eras estabelece medidas pré, intra e pós-operatórias baseadas em evidências científicas que visam reduzir o tempo de internação, a dor, as complicações e o risco de infecções. A assistência é fornecida por equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas, que acompanha o paciente desde a preparação para a cirurgia até o retorno ao lar.
Nos últimos dois anos, 199 pacientes submetidos a cirurgias cardíacas no hospital já passaram pelo mesmo protocolo. Na tarde de terça-feira (23), parte desse grupo — incluindo Thamara — participou de encontro na instituição para celebrar o Natal e agradecer pelos resultados alcançados.
Idealizador da implantação do Eras no Alberto Urquiza Wanderley, o cirurgião cardiovascular Maurílio Onofre Deininger destacou que cada número representa uma história e uma família impactada. “Comemoramos cuidado, compromisso e renascimento”, afirmou durante a confraternização.
Para o presidente da Unimed João Pessoa, Gualter Lisboa Ramalho, a iniciativa consolida o hospital como referência em inovação na saúde. “Estamos levando esse modelo de atendimento para outras unidades do país”, disse, ressaltando que a experiência da Paraíba pode acelerar a recuperação de pacientes cardiopatas em diferentes estados.
Além de reduzir o tempo de permanência na UTI e nas enfermarias, o protocolo contribui para a segurança do paciente ao diminuir a exposição a agentes hospitalares. A meta é que, com menor tempo de internação e monitoramento intensivo em casa, a readaptação à rotina familiar e profissional seja mais rápida — exatamente o que ocorreu com Thamara.
Agora, de volta ao convívio com o marido e os dois filhos, a psicóloga afirma que não perdeu a esperança em nenhum momento do processo. “Graças ao cuidado de toda a equipe e à aplicação do Eras, minha qualidade de vida foi restabelecida mais depressa do que eu imaginava”, declarou.
Com informações de Paraiba



