O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que pretende pautar, em 2026, uma discussão “equilibrada” sobre o eventual fim da escala de trabalho 6×1. Ao comentar o assunto, o parlamentar garantiu que o processo não terá viés ideológico e deverá envolver, de forma paritária, representantes de empregados e empregadores.
“Queremos conduzir isso com muito equilíbrio, escutando os dois lados”, afirmou o dirigente da Casa, ao reforçar que a proposta deve avançar apenas depois de ampla escuta. Segundo Motta, o objetivo é assegurar que qualquer decisão seja tomada com base em consensos construídos entre as partes diretamente afetadas pela mudança.
Atualmente, a escala 6×1 é adotada em diversos setores da economia brasileira e consiste em seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um dia de descanso. A regra é tradicionalmente aplicada em áreas que exigem funcionamento contínuo, como comércio, serviços e indústrias, mas passou a ser questionada por grupos que defendem jornadas mais flexíveis.
Motta explicou que, justamente por tocar em temas sensíveis – como jornada semanal, produtividade e organização das empresas –, o debate precisa acontecer de forma técnica. “Essa é uma pauta que mexe tanto com a vida do trabalhador quanto com a realidade das empresas, por isso não pode ser tratada de maneira superficial”, acrescentou.
De acordo com o presidente da Câmara, o cronograma preliminar prevê que a discussão seja inserida na agenda legislativa de 2026, quando o Congresso retomará seus trabalhos após o recesso de fim de ano. Até lá, a Mesa Diretora deve reunir sugestões de sindicatos, confederações patronais e especialistas em legislação trabalhista, para que o tema chegue ao plenário com informações consolidadas.
Motta não detalhou se já existe um projeto de lei formalizado sobre a extinção do 6×1, mas reiterou que qualquer proposição só avançará mediante “responsabilidade e diálogo” entre os diversos setores. Ele também ressaltou que a iniciativa não representa posicionamento prévio da Câmara, e sim a abertura de um espaço de negociação.
Com a sinalização do comando da Casa, o assunto ganha visibilidade na pauta trabalhista do próximo ano, numa conjuntura em que diferentes segmentos discutem modernização de jornadas e atualização de normas de descanso semanal. A expectativa é de que o debate reúna audiências públicas, reuniões setoriais e apresentação de estudos técnicos antes de qualquer deliberação definitiva.
Com informações de Paraibaonline



