João Pessoa – Fundado em 2011 no bairro do Cristo, zona oeste da capital paraibana, o Grupo Kairós tem mostrado que o teatro pode ser um instrumento concreto de transformação social para crianças, adolescentes e jovens da comunidade.
A iniciativa partiu do professor Flavinho Ramos, que percebeu a dificuldade de estudantes com menos experiência artística ingressarem em companhias já formadas. “Os grupos valorizavam quem tinha habilidades prévias. Quem precisava de estímulo ficava de fora”, recorda o idealizador.
Para romper essa barreira, Ramos criou um espaço inclusivo, no qual idade, perfil comportamental ou condição de saúde não representam obstáculo. Atualmente, participam do Kairós crianças de 10 anos, jovens de até 20, além de integrantes com transtorno do espectro autista e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Método que vai além do palco
As atividades extrapolam os ensaios. Entre as regras estabelecidas há o uso restrito de telefones celulares e a obrigatoriedade de leitura de um livro por mês, proposta registrada em um caderno batizado de “Livro de Cabeceira”. Os títulos escolhidos são debatidos coletivamente, estimulando a formação crítica dos participantes.
A estudante Carol, 16 anos e diagnosticada com autismo, e a colega Maria Sofia, 12, exemplificam os resultados. Maria Sofia relata ter ampliado a compreensão sobre cultura: “Antes eu achava que arte era só pintar quadros. Descobri que é muito mais, é tudo o que fazemos aqui”.
Resultados conquistados
Alguns jovens que cresceram no grupo ingressaram na universidade. É o caso de Nathalia Silva, aprovada em Pedagogia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ela credita parte da conquista à disciplina aprendida no Kairós. “Para quem vem de comunidade, enfrentar o preconceito é difícil. As regras do grupo ajudaram a mostrar que somos capazes”, afirma.
As mães dos alunos acompanham de perto as mudanças. Relatos de melhora no desempenho escolar e no comportamento em casa são frequentes, reforçando o impacto do projeto.
Reconhecimento além da comunidade
O trabalho chamou a atenção de nomes de projeção nacional. O diretor de novelas Jayme Monjardim enviou mensagem de apoio, elogiando a dedicação do professor e desejando que o grupo alcance novos voos em 2026.
Após 13 anos de atuação, o Grupo Kairós mantém o foco no mesmo objetivo que motivou sua criação: oferecer oportunidades para que jovens de diferentes realidades descubram sua voz por meio da arte.
Com informações de G1


