O ano de 2025 marcou a publicação de uma série de atualizações em protocolos e programas que pretendem antecipar o diagnóstico de doenças, fortalecer a vacinação e ampliar o acesso a métodos contraceptivos e ferramentas tecnológicas no sistema de saúde brasileiro.

Pressão arterial ganha zona de atenção mais ampla

A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão estabeleceu a categoria de pré-hipertensão para pressões entre 120/80 mmHg e 139/89 mmHg. O objetivo é identificar risco cardiovascular de forma precoce e estimular mudanças de estilo de vida antes da necessidade de medicamentos. A hipertensão segue definida como pressão igual ou superior a 140/90 mmHg, confirmada em mais de uma aferição. Para pacientes já em tratamento, a meta geral passou a ser manter valores abaixo de 130/80 mmHg.

Febre infantil: novo ponto de corte

Para crianças, qualquer temperatura axilar a partir de 37,5 °C passou a ser considerada febre. O ajuste padroniza condutas, mas os especialistas reiteram que a decisão pelo atendimento de urgência deve levar em conta o estado geral da criança. Sinais como prostração acentuada, dificuldade respiratória, vômitos repetidos, incapacidade de hidratação ou piora comportamental continuam sendo critérios fundamentais para encaminhamento imediato.

Vacinação recupera fôlego no País e na Paraíba

Dados do primeiro quadrimestre de 2025 indicam aumento na cobertura de 15 das 16 vacinas do calendário infantil em comparação com 2024. A retomada é atribuída à reorganização do Programa Nacional de Imunizações (PNI), à realização do Dia D de mobilização e à garantia de abastecimento de doses. Entre as novidades, destacam-se a ampliação da proteção contra meningite e a incorporação da vacina contra o vírus sincicial respiratório.

Na Paraíba, houve avanço nas coberturas de tríplice viral, BCG, pneumocócica e meningocócica, resultado da articulação entre Secretaria de Estado da Saúde, municípios e ações de busca ativa.

Obesidade: medicamentos modernos entram no protocolo

As diretrizes brasileiras de obesidade reforçaram que o Índice de Massa Corporal (IMC) saudável permanece entre 18,5 e 24,9. A perda de cerca de 5% do peso corporal já promove melhora em pressão, glicemia e colesterol; reduções de 10% geram benefícios adicionais para indivíduos de maior risco. Medicamentos injetáveis da classe dos análogos de GLP-1, popularmente chamados de “canetinhas”, foram incorporados como opção terapêutica quando indicados. Estudos, como o SELECT, demonstraram redução de eventos cardiovasculares em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular previamente diagnosticada.

Diabetes: rastreio antecipado

A Sociedade Brasileira de Diabetes passou a recomendar o rastreamento do diabetes tipo 2 a partir dos 35 anos, além de populações mais jovens com sobrepeso ou outros fatores de risco. Os valores de referência permanecem: glicemia de jejum normal entre 70 e 99 mg/dL; pré-diabetes entre 100 e 125 mg/dL; e diagnóstico de diabetes a partir de 126 mg/dL. Para hemoglobina glicada, níveis abaixo de 5,7% são considerados normais, enquanto a faixa de 5,7% a 6,4% indica pré-diabetes.

Implante contraceptivo chega ao SUS

O Ministério da Saúde iniciou em 2025 a incorporação do implante contraceptivo subdérmico (Implanon) à rede pública, com previsão de distribuir até 1,8 milhão de dispositivos até 2026. O método, válido por até três anos e reversível, antes restrito à rede privada, está sendo implantado gradualmente. Na Paraíba, profissionais de saúde de municípios como João Pessoa e Campina Grande receberam capacitação inicial, e a oferta dependerá da habilitação de cada Unidade Básica de Saúde.

Tecnologia e inteligência artificial no cuidado

Hospitais e serviços de atenção primária vêm adotando sistemas de inteligência artificial (IA) para leitura de exames, identificação de padrões de risco e organização de filas. A expectativa para 2026 é ampliar o monitoramento remoto de pacientes, com dispositivos menores e análise contínua de dados, permitindo intervenções antes da evolução para quadros graves.

Ao reunir novas faixas de referência, ampliar a cobertura vacinal, antecipar rastreamentos e integrar inovação tecnológica, as atualizações de 2025 reforçam a estratégia de chegar ao paciente antes que a doença se instale, reduzindo complicações e custos para o sistema de saúde.

Com informações de Jornaldaparaiba