João Pedro, 14 anos, residente em Santana dos Garrotes, no Vale do Piancó, tornou-se o primeiro paciente infantil a passar por um transplante de coração realizado integralmente pela rede pública de saúde da Paraíba. A cirurgia, feita em 21 de novembro, marcou um avanço no atendimento de alta complexidade ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.

A operação ocorreu no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, referência regional em procedimentos cardíacos. O órgão transplantado veio de um doador de Santa Terezinha, também no Sertão. O feito mobilizou dezenas de profissionais e consolidou a capacidade da unidade para intervenções de grande porte em pacientes jovens.

Diagnóstico e rotina limitada

João Pedro convivia desde os 13 anos com displasia arritmogênica do ventrículo direito, doença que compromete progressivamente a força do coração. Mesmo sob acompanhamento e medicamentos, o quadro se agravou, impedindo o adolescente de frequentar a escola, sair com amigos ou realizar tarefas básicas sem cansaço extremo. Segundo a mãe, Carla Araújo, ele chegava a ficar ofegante após um simples banho e apresentava coloração arroxeada nas unhas.

Série de perdas na família

A trajetória de Carla foi marcada por sucessivas provações. Em 2023, ela perdeu uma filha recém-nascida. Três meses depois, engravidou novamente em uma gestação considerada de risco e, 15 dias após o parto, recebeu a notícia da grave cardiopatia de João Pedro. “Não tive tempo de viver o luto, precisava lutar pela vida dos meus filhos”, relembrou, em entrevista ao programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão.

Única alternativa

Quando a equipe médica recomendou o transplante como solução definitiva, a família ficou abalada. Carla conta ter ficado “sem chão”, mas manteve a fé. Incluído na lista de espera, João Pedro foi chamado após a compatibilidade com o doador sertanejo ser confirmada. A cirurgia transcorreu sem intercorrências e representou a primeira desse tipo em pacientes pediátricos dentro da rede estadual.

Mistura de emoções

A notícia da captação trouxe alívio, mas também reflexão sobre a família doadora. “Pensei na mãe que perdeu o filho. Foi alegria pela vida do meu menino e dor pela perda deles”, disse Carla, que deseja conhecer os parentes do doador em momento oportuno.

Alta hospitalar comemorada

Após semanas na unidade de terapia intensiva e em observação, João Pedro recebeu alta em clima de festa, com aplausos, música e homenagens da equipe multiprofissional. Imagens publicadas nas redes sociais do hospital mostram o adolescente deixando a enfermaria sob forte emoção, simbolizando a força do SUS e da doação de órgãos.

Agora em casa, o jovem segue em recuperação e retornará periodicamente ao Hospital Metropolitano para avaliações. Carla, que descreve o filho como “meu milagre”, agradeceu aos profissionais envolvidos e reforçou a importância da fé. “Nunca deixem de acreditar”, aconselhou.





O caso ganha repercussão no Sertão e em todo o estado, reforçando a necessidade de ampliar campanhas de doação e demonstrando a capacidade dos centros públicos de saúde em procedimentos de alta complexidade.

Com informações de Diariodosertao