Entre janeiro e novembro de 2025, a Paraíba registrou 32 feminicídios, volume 39% superior aos 26 casos contabilizados em todo o ano de 2024, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A média no estado chegou a dois crimes por mês.
O levantamento mensal mostra três feminicídios em janeiro, seis em fevereiro, quatro em março, dois em abril, três em maio, três em junho, nenhum em julho, um em agosto, três em setembro, dois em outubro e cinco em novembro. Pelo menos outros cinco assassinatos de mulheres foram identificados em dezembro, mas ainda aguardam consolidação oficial.
Crimes espalhados pelo estado
Os 32 feminicídios de 2025 ocorreram em 24 municípios. João Pessoa lidera com quatro ocorrências, seguida de Araçagi, Cajazeiras, Conde, Coremas e Patos, todos com duas. Também houve registros isolados em Cacimba de Dentro, Campina Grande, Capim, Cuité, Itaporanga, Juru, Lagoa Seca, Marizópolis, Mulungu, Natuba, Nova Floresta, Pilar, Pilões, Pombal, Santa Rita, Sapé, Solânea e Triunfo.
A pesquisadora de gênero Glória Rabay aponta fatores culturais e a persistência do machismo como motores da violência. “A lei, sozinha, não reduz números porque a misoginia está disseminada, sobretudo nas redes sociais”, afirma. Ela ressalta que o perfil das vítimas não se restringe a um único grupo: “Embora mulheres negras e periféricas sejam as mais atingidas, encontramos vítimas e agressores em todas as classes sociais”.
Avanço da legislação
Desde março de 2015, o feminicídio integra o rol de crimes hediondos após a sanção da Lei nº 13.104. Em 2024, a Lei 14.994 tornou o feminicídio crime autônomo e elevou a pena máxima para 40 anos de prisão, acima dos 30 anos previstos para homicídio qualificado.
Para Glória Rabay, dar nome a esse tipo de homicídio foi fundamental para torná-lo visível. “Quando reconhecemos que uma mulher foi morta por ser mulher, o caso ganha força e mobiliza a sociedade”, diz. Ela defende um processo educativo contínuo, que envolva escola, mídia, família, igrejas e setor privado, a fim de combater práticas misóginas que alimentam a violência.
Balanço de 2024
No ano passado, 26 feminicídios foram confirmados na Paraíba. Os meses mais violentos foram fevereiro, com quatro casos, e setembro, com cinco. Agosto foi o único período sem registros. João Pessoa teve quatro ocorrências; Campina Grande, Marizópolis e Patos terminaram com duas cada. Os demais crimes distribuíram-se por Aparecida, Bonito de Santa Fé, Cabedelo, Fagundes, Itaporanga, Malta, Massaranduba, Montadas, Monteiro, Nova Floresta, Paulista, Santa Rita, São José de Piranhas, São Vicente do Seridó e Sousa.
Levantamento do Núcleo de Dados da Rede Paraíba de Comunicação indica que a maioria dos autores mantinha ou havia mantido relacionamento afetivo com a vítima, e o disparo de arma de fogo foi o meio mais comum.
Canais de denúncia
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados à Polícia Civil pelo 197, à Central de Atendimento à Mulher pelo 180 e, em situações de emergência, ao 190 da Polícia Militar.
Com informações de G1



