Em 2025, o Brasil registrou US$ 2,9 bilhões em exportações para o Irã, valor que corresponde a 0,84% do total das vendas externas brasileiras, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Com esse desempenho, o país persa figura como o quinto maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio e ocupa a 31ª posição no ranking global de mercados compradores.

Na comparação regional, o Irã só fica atrás dos Emirados Árabes Unidos, do Egito, da Turquia e da Arábia Saudita. No ano passado, o Brasil enviou ao Irã volumes superiores aos destinados a potências como Suíça, África do Sul e Rússia.

O intercâmbio bilateral concentra-se no agronegócio, que respondeu por 87,2% das vendas brasileiras ao mercado iraniano. Desse total, o milho representou 67,9%, com embarques que ultrapassaram US$ 1,9 bilhão, e a soja somou 19,3%, equivalendo a cerca de US$ 563 milhões. Além desses grãos, o Brasil exportou ao Irã açúcares e produtos de confeitaria, farelos de soja para alimentação animal e petróleo.

Em contrapartida, as importações brasileiras do Irã foram modestas, alcançando aproximadamente US$ 84 milhões em 2025. Deste montante, 79% se referem a adubos e fertilizantes, e o restante inclui frutas secas, nozes, pistaches e uvas passas.

O histórico recente mostra oscilações no fluxo comercial. As exportações brasileiras ao Irã atingiram o recorde de US$ 4,2 bilhões em 2022, recuaram em 2023 e voltaram a crescer em 2024 e 2025. As importações, por sua vez, registraram variações mais acentuadas, com quedas expressivas em 2023 e recuperação no ano seguinte.

Ameaça de Trump

Em janeiro de 2026, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre países que mantiverem relações comerciais com o Irã. A medida, segundo ele, incidirá “sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos” por essas nações e entraria em vigor de imediato, embora detalhes oficiais ainda não tenham sido divulgados pela Casa Branca.

O anúncio gerou preocupação no Brasil, sobretudo no setor do agronegócio, principal beneficiário da pauta exportadora com Teerã. O governo federal declarou que aguardará a publicação da ordem executiva americana para se posicionar oficialmente.

Iniciativas diplomáticas

No campo diplomático, representantes dos dois países têm buscado reforçar o diálogo. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã visitou Brasília e se reuniu com o titular da pasta no Brasil, Carlos Fávaro. Na ocasião, acordou-se a criação de um comitê agrícola bilateral para acelerar discussões técnicas, ampliar o intercâmbio e facilitar o comércio.

Durante essa visita, o Irã manifestou interesse em estabelecer uma empresa de navegação no Brasil, o que poderia reduzir custos logísticos e elevar os fluxos comerciais. Desde agosto de 2023, o Irã também é membro do Brics, grupo fundado pelo Brasil.

O contexto de tensão entre Washington e Teerã, marcado por ameaças mútuas, repressão a protestos internos no Irã e declarações de autoridades sobre negociações e riscos de conflito, ressalta a importância de uma posição clara do Brasil diante de possíveis sanções americanas.

Com informações de Agência Brasil