Desde o último domingo (11), equipes da Prefeitura de Campina Grande enfrentam um dos piores episódios de mortandade de peixes no Açude Velho, principal ponto turístico da cidade no Agreste paraibano. Segundo o secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Dorgival Vilar, já foram removidas cerca de 9,8 toneladas de exemplares mortos, ação que mobiliza mais de 60 trabalhadores e tem como destino final um aterro sanitário.

Limpeza do açude e medidas emergenciais

O reaparecimento de peixes sem vida no reservatório é recorrente, mas nesta ocorrência houve agravamento na quantidade e no odor nas imediações. Especialistas atribuem o fenômeno a uma combinação elevada de fósforo e nitrogênio, que reduz o oxigênio disponível e provoca a asfixia dos animais em períodos mais quentes.

Em reunião na manhã de segunda-feira (12), representantes da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) e da Secretaria de Obras (Secob) debateram intervenções a curto e longo prazos. Entre as ações previstas estão a intensificação do uso de aeradores para aumentar a circulação e a oxigenação da água, além de um cronograma de limpeza contínua.

Investigações e solicitações de órgãos de controle

A Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriram inquéritos para apurar possível crime ambiental. No açude, peritos coletaram amostras de água e de peixes, que são analisadas no Núcleo de Laboratório Forense do Instituto de Polícia Científica da Paraíba. Ainda não há previsão para conclusão desses exames.

O MPPB, por meio de um inquérito civil instaurado em 11 de novembro pelo promotor Hamilton de Souza Neves, investiga o lançamento irregular de esgoto no açude e a morte em massa dos animais. Paralelamente, a Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB) requisitou, em até 15 dias, relatórios técnicos de qualidade da água dos últimos seis meses, cronograma de ações emergenciais e de recuperação ambiental, detalhes de recursos aplicados nos últimos três anos e avaliação de riscos à saúde pública.

Projeto de requalificação e oxigenação

Para prevenir novos episódios, a Prefeitura estuda um sistema de oxigenação contínua do reservatório. O projeto de requalificação do cartão-postal deve ser concluído até o fim do primeiro semestre de 2026, com licitação prevista para instalação de equipamentos, dragagem do fundo do açude, melhorias nas margens e acessibilidade, além de tratamento e monitoramento da água.

O plano ainda está em fase de estudos, sem definição de quantos aeradores serão instalados ou prazos para implantação.

Com informações de Jornaldaparaiba