A cantora Joan Baez celebrou 85 anos na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. Embora aposentada de turnês e gravações, ela segue engajada em causas sociais nos Estados Unidos, especialmente durante a gestão de Donald Trump.

Referência das protest songs na década de 1960, Baez já gozava de grande reconhecimento quando Bob Dylan emergiu nacionalmente em 1963. Além de interpretar suas composições, ela chegou a namorar o colega de cena. Dotada de voz de soprano com afinação lírica, Baez uniu tradição vocal e repertório alinhado aos anseios de sua geração.

No campo discográfico, seus lançamentos mais elogiados saíram pelo selo Vanguard. Inicialmente acompanhada apenas por violão, ela incorporou arranjos mais amplos ao longo da carreira. Entre suas gravações de destaque estão a Quinta Bachiana de Villa-Lobos e clássicos da música brasileira, como Muié Rendeira e Manhã de Carnaval. Em outro álbum, reuniu obras das Américas, do cubano Guantanamera à chilena Gracias a la Vida.

Baez também se envolveu diretamente em movimentos pelos direitos civis. Em 1963, marchou em Washington ao lado de Dylan e do pastor Martin Luther King Jr., presente no discurso “I Have a Dream”. Seis anos depois, durante o festival de Woodstock, estava grávida e viu o marido detido como desertor. Sob chuva e luzes coloridas, ela entoou a cappella o spiritual Swing Low, Sweet Chariot, transformando o momento em uma espécie de oração coletiva.

Em 28 de março de 2014, no Teatro do Shopping RioMar, em Recife, Baez lembrou aquele episódio ao dizer: “Cantei essa música em Woodstock, cantei em Washington para Martin Luther King, cantei ao redor do mundo. Agora, canto para vocês”. A apresentação foi marcada pela simplicidade do duo voz e violão, em um repertório que incluiu spirituals, rocks de John Lennon e Bob Dylan, além de canções de resistência brasileira como Caminhando (Geraldo Vandré) e Cálice (Chico Buarque/Gilberto Gil).

O jornalista presente ao show relatou a proximidade com a artista: ajoelhado à beira do palco, registrou trechos de Imagine, Blowin’ in the Wind e Amazing Grace. No bis, Baez apertou a mão dos espectadores, confirmou seu alcance gerações afora e atendeu ao pedido de um clássico de Dylan.

A trajetória de seis décadas de Joan Baez permanece marcada pelo encontro entre música e ativismo, mantendo viva a mensagem de transformação social.

Com informações de Jornaldaparaiba