Motoristas responsáveis pelo abastecimento de água na Operação Carro-Pipa na Paraíba denunciam atraso nos pagamentos desde outubro de 2023 e avisam que podem interromper as atividades nas próximas semanas caso não recebam os valores devidos.

Segundo relatos de profissionais ouvidos pela reportagem, a falta de repasses tem prejudicado a manutenção dos caminhões, o custeio de transporte e as despesas pessoais dos pipeiros. “Tem gente sem receber desde outubro. Outros, como no meu caso, não recebem desde novembro. A gente abastece o caminhão, gasta com manutenção e alimentação, mas não tem como continuar”, afirmou um dos motoristas, que preferiu não se identificar por medo de retaliações.

Em nota, o 1º Grupamento de Engenharia do Exército, responsável pela coordenação local da operação, informou já ter concluído todos os trâmites administrativos internos e agora aguarda a descentralização dos recursos pelo Governo Federal para efetuar os pagamentos. A reportagem também procurou o Ministério do Desenvolvimento Regional, mas ainda não obteve resposta.

Outro pipeiro, em condição de anonimato, reforçou a falta de comunicação oficial. “Ligamos para o Exército e só nos dizem que o dinheiro está preso com o Governo Federal, sem qualquer previsão de liberação”, relatou. Sem perspectiva de solução, os trabalhadores dizem que a paralisação é iminente.

No Sertão da Paraíba, especialmente na região que engloba Sousa, Marizópolis e Cajazeiras, estima-se que cerca de 500 caminhões podem ficar parados, agravando a crise de abastecimento em municípios já sujeitos a racionamento de água.

O vereador Vinícius Gomes, de Marizópolis, alerta para o efeito cascata na economia local. “Oficinas, borracharias, mercados, açougues e postos de combustível estão sendo diretamente impactados pelo atraso nos pagamentos aos pipeiros”, disse o parlamentar.

Posicionamento do Exército

“Informo que todos os procedimentos administrativos que cabem ao Escritório Regional da Operação Carro-Pipa na Paraíba já foram realizados e estamos aguardando a descentralização dos recursos para efetivar o pagamento.”

Sem nova data para a liberação dos valores, pipeiros e autoridades locais acompanham de perto a evolução do problema, temendo que a escassez de água se amplie caso a operação seja suspensa.

Com informações de Maispb