O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), Bruno Leandro, declarou nesta semana, durante participação no Programa Hora H da Rede Mais e Rádio POP FM, que os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), conduzido pelo Ministério da Educação (MEC), indicam um “declínio” na qualidade dos cursos de Medicina em todo o país.

Segundo os dados do MEC, mais de 300 faculdades de Medicina foram avaliadas, número que se aproxima de 400. Dessas, cerca de 100 instituições foram classificadas com os conceitos 1 ou 2, considerados insuficientes. Aproximadamente dois terços dos cursos receberam nota 3 ou superior, nível que, na avaliação de Bruno Leandro, ainda não atinge o padrão desejado.

Desempenho na Paraíba

Na Paraíba, nove cursos de Medicina passaram pelo exame. Nenhum alcançou o conceito máximo, nota 5. Apenas as universidades federais – Universidade Federal da Paraíba (Campus João Pessoa) e Universidade Federal de Campina Grande (Campina Grande e Cajazeiras) – obtiveram conceito 4. As instituições privadas do estado ficaram com notas 3 e 2, e quatro faculdades receberam o conceito 2, o que, na opinião do presidente do CRM-PB, evidencia necessidade de aprimoramento na infraestrutura e no método de ensino.

Número de profissionais insuficientes

No total, o Enamed considerou 13 mil médicos, entre cerca de 40 mil avaliados, como “insuficientes”. Bruno Leandro ressaltou que esse contingente equivale ao quadro de médicos ativos na Paraíba, que contabiliza 13 mil profissionais. “É como se fosse uma Paraíba inteira não qualificada”, alertou.

Proposta de prova de proficiência

Para elevar o nível de formação e proteção da população, o presidente do CRM-PB defende a aprovação de um projeto de lei em tramitação no Senado que prevê a criação de uma prova de proficiência para médicos formados. Inspirada na prova da Ordem dos Advogados, a avaliação seria requisito obrigatório para inscrição nos conselhos regionais. O texto já foi aprovado em primeiro turno e aguarda deliberação dos senadores.

“Não podemos permitir que profissionais mal formados atuem no atendimento à população”, afirmou Bruno Leandro, acrescentando que a iniciativa é discutida junto ao Conselho Federal de Medicina desde 2021.

Sem a adoção de mecanismos de verificação de competência, a qualidade da formação médica continuará em alerta, reforçando a urgência de medidas que garantam o preparo técnico e ético dos futuros profissionais.

Com informações de Maispb