Raphaella Brilhante relatou em entrevista à TV Cabo Branco, nesta segunda-feira (26), que sinais de ciúme, no início do casamento, logo se transformaram em um controle rigoroso por parte do cantor João Lima. Segundo ela, restrições à rotina antecederam o primeiro ato de violência física.

De acordo com Raphaella, desde o início da relação ela era monitorada em cada compromisso: “Eu não podia ir sozinha à academia e precisava informar horários e deslocamentos. Se passasse mais de uma hora, ele questionava o que eu estava fazendo de errado.” A vítima afirma que o comportamento possessivo era apresentado como ciúme, mas se revelou uma forma de vigilância constante.

O casamento foi celebrado em novembro do ano passado e, apenas cinco dias depois, durante a lua de mel, ocorreu o primeiro episódio de agressão. “Ele chegou exaltado, proferiu várias palavras e me agrediu”, contou Raphaella, ressaltando que seus pedidos de socorro não foram ouvidos no momento.

Mesmo reconhecendo o problema e prometendo mudar, o cantor não interrompeu os episódios de violência. Em janeiro, ela decidiu buscar refúgio na casa dos pais em Cabedelo. Foi nesse período que câmeras de segurança registraram novas agressões. As imagens, gravadas em 18 de janeiro, mostram João Lima golpeando a vítima e até entregando uma faca, orientando-a a tirar a própria vida.

Com o avanço das investigações, na última segunda-feira (25) a Justiça decretou a prisão preventiva do artista, que responde a inquérito por violência doméstica. Na mesma decisão, foi concedida medida protetiva em favor de Raphaella.

Em nota, a defesa de João Lima afirmou ter sido surpreendida pela decisão, mas garantiu que o cantor cumpria as medidas restritivas anteriores e se apresentaria à polícia.

Durante a entrevista, Raphaella confessou que teme pela própria vida em razão das ameaças recebidas. “Eu estou com medo, porque ele disse que ia me matar”, declarou, lembrando que áudios anexados ao processo comprovam o período de relacionamento.

A mãe de Raphaella, Kellyane Brilhante, disse não ter percebido indícios de violência antes de ver os vídeos. Ela descreveu o impacto emocional ao assistir às imagens: “É outra pessoa. Dentro de quatro paredes, ele a agredia, sufocava e proferia palavrões. Eu não consigo revê-las.”

Entenda o caso

As gravações das supostas agressões começaram a circular nas redes sociais em 24 de janeiro. O depoimento da vítima foi prestado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em João Pessoa. Com a repercussão, Raphaella Brilhante confirmou publicamente as agressões em post nas redes sociais e afirmou conviver com “uma dor que atravessa o corpo, a alma e a história”.





João Lima é neto do cantor Pinto do Acordeon, que faleceu em 2020 em decorrência de câncer.

Com informações de Jornaldaparaiba