O Ministério Público da Paraíba permanece sem apresentar novas denúncias contra o chamado núcleo político investigado na Operação Indignus, que apura desvios de recursos do Hospital Padre Zé, em João Pessoa. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil, teve seu ponto de partida em novembro de 2023.

Quem: O padre Egídio de Carvalho, apontado como líder do esquema, duas ex-diretoras do hospital e 14 outras pessoas, incluindo os secretários estaduais Tibério Limeira e Pollyanna Werton, estão na lista de investigados. Eles negam envolvimento em irregularidades.

O que: Até o momento, seis denúncias foram protocoladas contra o padre e os ex-diretores, acusados de desviar aproximadamente R$ 140 milhões da unidade hospitalar. Um dos processos foi concluído e aguarda julgamento por apropriação indébita de aparelhos celulares doados pela Receita Federal. As demais ações seguem em fase de audiências e diligências.

Quando: A prisão preventiva de Egídio de Carvalho e das ex-diretoras foi decretada em novembro de 2023 pelo desembargador Ricardo Vital, do Tribunal de Justiça da Paraíba. Em novembro de 2024, o Gaeco apresentou denúncia detalhando o suposto desvio de R$ 21 milhões do Programa Prato Cheio, recursos repassados entre 2021 e 2023 para alimentação de pessoas em situação de rua.

Onde: Os fatos ocorreram em João Pessoa e em outras cidades do estado, onde o programa social mantido pelo hospital beneficiava moradores de rua.

Como: Segundo a denúncia de 69 páginas, os investigados teriam estruturado um organograma de atuação dividido em núcleos (institucional, empresarial e político) para facilitar o desvio de dinheiro público. Embora o Gaeco afirme que os esquemas de corrupção e organização criminosa serão denunciados separadamente, as acusações contra agentes vinculados ao governo estadual não foram oficialmente formalizadas.

Por que: A demora em apresentar as denúncias relativas ao núcleo político levanta questionamentos sobre a celeridade e a independência das investigações do Ministério Público. Especialistas em direito afirmam que a paralisação pode prejudicar a credibilidade da instituição.

O Gaeco e a Procuradoria Geral de Justiça ainda não se manifestaram sobre os próximos passos das investigações envolvendo servidores públicos. A sociedade aguarda o desfecho das pendências judiciais para avaliar a efetividade das ações contra supostos agentes políticos.

Com informações de Jornaldaparaiba