Na primeira edição de 2026 da coluna Diário de Obras, exibida em 3 de janeiro no programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão, o engenheiro Fernando Figueiredo apresentou um diagnóstico sobre as causas que agravam as enchentes no Sertão da Paraíba e em outras regiões do país durante o período chuvoso.
Figueiredo destacou que, apesar da quadra chuvosa ocorrer apenas uma vez ao ano no Sertão paraibano, as precipitações geram impactos severos à população local, com alagamentos de vias, interrupção de serviços e prejuízos a residências.
Origens históricas
De acordo com o engenheiro, o problema tem raízes históricas. Muitas cidades brasileiras surgiram às margens de rios e riachos para garantir acesso à água. Esse modelo de expansão funcionava em povoados de baixa densidade, mas se transformou em um risco quando as áreas urbanas cresceram sem a devida infraestrutura de drenagem.
Crescimento urbano desordenado
O especialista explicou que, em grande parte do país, o processo de urbanização foi invertido: primeiro foram construídas casas e loteamentos, depois vieram o saneamento básico e o calçamento. Essa prática resultou na impermeabilização de grandes extensões de terreno.
Sem áreas permeáveis para absorver o volume de chuva, a água invade imóveis, erosiona solos e danifica ruas e pontes. “Quando não há canais e galerias adequados, o excesso de água acaba concentrado em pontos vulneráveis da cidade”, afirmou Fernando Figueiredo.
Escala nacional
Embora o foco do debate tenha sido o Sertão da Paraíba, o engenheiro ressaltou que a falta de planejamento urbano e de sistemas eficientes de drenagem é uma realidade em todo o Brasil. Ele citou a cidade de São Paulo como exemplo de que, mesmo em centros com maior capacidade econômica, a ausência de foresight técnico e obras de contenção resultam em inundações frequentes.
Para Figueiredo, a combinação de ocupação irregular em áreas de risco, ausência de projetos de drenagem compatíveis com o volume de chuva e legado histórico de assentamentos ribeirinhos formam o cerne das enchentes que castigam municípios de norte a sul do país.
O engenheiro concluiu que superar esses desafios dependerá do reforço no planejamento urbano e de investimentos estruturais para adaptação das cidades aos padrões climáticos regionais.
Com informações de Diariodosertao



