Brasília, 3 de fevereiro de 2026 – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que o alto nível da Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, foi o principal fator para a estagnação da produção industrial no fim de 2025. O diagnóstico foi feito com base na Pesquisa Industrial Mensal divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com a entidade, o ciclo prolongado de juros elevados encareceu o crédito às empresas e reduziu o poder de compra dos consumidores. Esse quadro foi agravado pela demanda interna fraca e pela expansão das importações, que abocanharam parcela significativa do mercado doméstico.
Segundo o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, “o patamar punitivo da taxa Selic elevou os custos de financiamento do setor produtivo, que contive investimentos, e reduziu significativamente o consumo de bens industriais”. Ele destacou que, em 2024, com juros menores, a demanda interna por produtos da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que o registrado até novembro de 2025.
O enfraquecimento da atividade levou a níveis de estoque acima do planejado e a uma retração de 0,2% na produção da indústria de transformação, segmento que transforma matérias-primas em bens de consumo. Esse cenário contribuiu para reduzir a capacidade de reação do setor ao longo do segundo semestre do ano passado.
As importações de bens de consumo avançaram 15,6% em 2025, segundo a CNI. A entrada expressiva de produtos estrangeiros supriu as lacunas deixadas pela queda na produção nacional, prejudicando qualquer retomada consistente das fábricas brasileiras.
Queda na confiança
O impacto combinado de juros altos, estoques elevados e concorrência externa deteriorou o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). Divulgado no fim de janeiro, o indicador atingiu o pior patamar para o mês em dez anos e permanece abaixo dos 50 pontos – linha divisória entre otimismo e pessimismo – há 13 meses consecutivos.
Para a CNI, sem mudanças na política de juros e em medidas de estímulo à demanda interna, o crescimento da economia em 2026 corre risco. A confederação alerta que a inércia produtiva e a baixa intenção de contratação podem estender os efeitos negativos para além da indústria de transformação, afetando o desempenho geral do país no curto prazo.
A pesquisa do IBGE confirmou a perda de fôlego do setor: a produção industrial encerrou 2025 com alta de apenas 0,6%, um resultado modesto frente aos 3,1% registrados em 2024. A desaceleração se intensificou no segundo semestre, em linha com o aperto monetário promovido pelo Banco Central.
Com informações de Agência Brasil


