A Câmara Municipal do Recife decidiu, nesta terça-feira (3), pela inadmissibilidade do pedido de abertura de processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). Dos 37 vereadores, 25 foram contrários, nove votaram a favor e uma se absteve, não havendo quórum suficiente para a instauração da apuração de responsabilidade.

O requerimento, apresentado em dezembro de 2025 pelo vereador Eduardo Moura (Novo), questionava alterações no resultado do concurso público para procurador municipal. A principal acusação apontava que a mudança teria favorecido o candidato Lucas Vieira Silva, filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e do juiz Rildo Vieira da Silva, em detrimento do advogado paraibano Marko Venício dos Santos Batista, pessoa com deficiência inicialmente aprovado.

Detalhes da votação

Para ser admitido, o pedido precisava de maioria simples dos 37 vereadores. A sessão foi marcada por protestos nas galerias e interrupções causadas por manifestações de grupos favoráveis e contrários ao impeachment. O autor do pedido, Eduardo Moura, não participou da votação, conforme prevê o regimento interno; seu lugar foi ocupado temporariamente pelo suplente George Bastos (Novo).

Votos favoráveis: Alcides Teixeira Neto (Avante), Alef Collins (PP), Davi Muniz (PSD), Felipe Alecrim (Novo), George Bastos (Novo, suplente), Gilson Machado Filho (PL), Paulo Muniz (PL), Thiago Medina (PL) e Fred Ferreira (PL).

Votos contrários: Aderaldo Pinto (PSB), Carlos Muniz (PSB), Chico Kiko (PSB), Cida Pedrosa (PCdoB), Eduardo Mota (PSB), Eriberto Rafael (PSB), Fabiano Ferraz (MDB), Felipe Francismar (PSB), Gilberto Alves (PRD), Hélio Guabiraba (PSB), Júnior Bocão (PSD), Júnior de Cleto (PSB), Kari Santos (PT), Liana Cirne (PT), Luiz Eustáquio (PSB), Natália de Menudo (PSB), Osmar Ricardo (PT), Professora Ana Lúcia (Republicanos), Rinaldo Júnior (PSB), Rodrigo Coutinho (Republicanos), Romerinho Jatobá (PSB), Samuel Salazar (MDB), Tadeu Calheiros (MDB), Wilton Brito (PSB) e Zé Neto (PSB).

Abstenção: Jô Cavalcanti (PSOL).
Não votaram: Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV).

Posicionamentos no plenário

Durante o debate, Eduardo Moura classificou a alteração no resultado como “canetada” e acusou o prefeito de cometer crimes de responsabilidade e atos de improbidade administrativa, comprometendo a igualdade de concorrência no certame. O líder do governo, Samuel Salazar (MDB), defendeu que João Campos apenas sancionou uma portaria já preparada, sem participar dos procedimentos que levaram à nomeação do candidato.

Consequências do resultado

Como a admissibilidade do processo foi rejeitada, o prefeito permanece no cargo e não será instaurada comissão processante. Se o pedido tivesse prosperado, João Campos precisaria se afastar temporariamente, e uma comissão sorteada analisaria as denúncias para, ao final, submeter nova votação sobre possível afastamento definitivo.

Com todos os votos apurados, encerra-se, por ora, o debate sobre o pedido de impeachment ligado às mudanças no concurso para procurador do município.

Com informações de Polemicaparaiba