Pesquisadora identifica escoamento de poluentes para principal reservatório de Campina Grande

Um levantamento da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) revela a necessidade urgente de intervenções no Canal das Piabas, principal afluente do Açude Velho, cartão-postal da cidade. A pesquisa, conduzida pela doutoranda Gabriele Souza, foi motivada pela retirada de quase 10 toneladas de peixes mortos do reservatório em janeiro, episódio que expôs o comprometimento da qualidade da água.

De acordo com Gabriele Souza, o canal teve origem em um riacho natural que recebia população de piabas – pequenos peixes típicos de cursos d’água da região. Entretanto, nas últimas décadas, o avanço da urbanização sem infraestrutura de saneamento transformou o leito em via de descarte de esgoto doméstico e resíduos sólidos. Parte dessa água poluída escoa diretamente para o Açude Velho, contribuindo para o processo de eutrofização do manancial.

Impactos à saúde e ao meio ambiente

A contaminação do Canal das Piabas tem reflexos diretos na comunidade local. Moradores da comunidade Rosa Mística, na Zona Norte de Campina Grande, relatam problemas de saúde associados à exposição a águas contaminadas por bactérias. Alagamentos tornaram-se frequentes em períodos de chuva intensa, com registros de vítimas arrastadas pelas águas.

Em análises de oxigênio dissolvido realizadas na tese de doutorado de Gabriele Souza, constatou-se valor igual a zero em trechos canalizados, inviabilizando a manutenção de fauna diversa. “O lançamento contínuo de efluentes sem tratamento explica a mortandade de peixes e a degradação do ecossistema aquático”, afirma a pesquisadora.

Propostas de remediação

O estudo propõe a interrupção imediata do descarte de esgoto no canal e apresenta alternativas de remediação baseada em processos naturais. Entre elas, está a implantação de um “jardim flutuante” – sistema de fitoremediação que utiliza plantas aquáticas para filtrar poluentes, reduzir nutrientes em excesso e recuperar a qualidade da água. O projeto, apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), já foi testado com sucesso em outras áreas da UFCG.

Embora o potencial de recuperação seja reconhecido, as soluções ainda dependem de investimentos e ações coordenadas entre órgãos ambientais, governos municipais e estaduais. A efetividade das medidas propostas será determinante para evitar novos episódios de mortandade de fauna e para restaurar o valor ecológico e paisagístico do Açude Velho.

Com informações de G1