Em boletim divulgado nesta sexta-feira (6), a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,4% para 2,3% em 2026. O ajuste consta no Boletim Macrofiscal, documento que reúne projeções e análises da equipe econômica do governo para o comportamento de variáveis-chave, como inflação e juros.

A revisão para baixo do PIB decorre, segundo a SPE, de uma desaceleração mais acentuada na produção agropecuária após o recorde de safra registrado em 2025. Esse menor ritmo no campo foi parcialmente compensado pela expansão mais robusta dos setores industrial e de serviços, que apresentaram desempenho acima do esperado no início do ano.

Inflação estimada em 3,6%

O boletim também projeta inflação de 3,6% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o ano de 2026. A estimativa reflete, conforme o relatório, o excesso global de oferta de bens e combustíveis, os efeitos defasados da valorização recente do dólar e a manutenção de uma política monetária restritiva, embora sejam previstas pressões moderadas nos preços de alimentos.

Juros básicos e cenário monetário

Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano — maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25%. No comunicado que acompanhou a decisão de manutenção, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central apontou para a possibilidade de iniciar cortes na Selic já na reunião de março, caso a inflação permaneça sob controle e não haja choques inesperados no panorama econômico.

Riscos externos e comércio

Segundo a SPE, a absorção interna da economia tende a acelerar, mas deverá sofrer influência negativa de uma contribuição menor das exportações, diante de um ambiente comercial global mais restritivo. Entre os principais riscos para o próximo ano, o relatório destaca a intensificação de tensões geopolíticas e comerciais, além de eventual desaceleração mais acentuada na China. Instabilidades políticas na Venezuela e disputas entre Estados Unidos e Europa em torno da Groenlândia são citadas como potenciais fontes de aumento da volatilidade financeira e de enfraquecimento do dólar.

Em 2025, o IPCA acumulou alta de 4,26%, acima da meta de inflação de 3% estabelecida pelo Banco Central. A projeção para 2026 reforça a expectativa de continuidade do processo de desinflação iniciado no ano anterior.

Com informações de Agência Brasil