Golpes digitais baseados em inteligência artificial se tornaram rotina no Brasil. Em 2025, 78% dos consumidores brasileiros relataram ter sido alvo de fraudes envolvendo IA e deepfakes, segundo o Índice de Fraude 2025 da Veriff. O país também lidera ataques cibernéticos na América Latina, com quase 39% de todos os deepfakes identificados na região, de acordo com o Sumsub Identity Fraud Report.
Para ajudar usuários a se proteger, o Jornal da Paraíba consultou o especialista em IA Yuri Malheiros, que detalha como detectar manipulações em vídeos, áudios e mensagens.
Identificação de vídeos falsos
Vídeos gerados por IA podem exibir imperfeições sutis. Entre os principais sinais apontados por Malheiros estão:
- Rostos com leve desfocagem ou borrões;
- Lábios fora de sincronia com o áudio;
- Iluminação incompatível com o cenário;
- Presença de objetos ou acessórios fora de contexto.
Além de examinar detalhes visuais, é fundamental verificar a origem do material: quem compartilhou o conteúdo, por qual canal ele circulou e se a fonte é confiável.
Detecção de vozes clonadas
Clonagens de voz em chamadas e áudios costumam soar muito regulares, sem as variações naturais de entonação, pausas e imperfeições comuns à fala humana. “Se o discurso parecer uniforme ou robótico, há grande probabilidade de ter sido gerado por IA”, alerta Malheiros.
Quando possível, o especialista recomenda interagir diretamente, fazendo perguntas pessoais ou inesperadas para expor inconsistências no discurso.
Perfis de vítimas e adaptações dos golpes
Dados do DataSenado revelam que jovens de 16 a 29 anos representam 27% das vítimas de golpes digitais, enquanto pessoas acima de 60 anos respondem por 16% dos casos. Segundo Malheiros, a diferença se deve ao tempo de navegação e aos hábitos online de cada grupo.
Os criminosos adaptam o tema das fraudes conforme o público-alvo: ofertas de emprego e promessas de dinheiro rápido para jovens; empréstimos e problemas bancários com voz de familiares para o público mais velho.
Medidas de prevenção
Quanto maior a exposição de imagens, vídeos e áudios reais nas redes sociais, mais ricos serão os dados usados para clonar conteúdo. Por isso, Malheiros reforça a importância de restringir informações disponíveis publicamente e, acima de tudo, confirmar a procedência de qualquer material recebido.
“Sempre questione a fonte e desconfie de conteúdos enviados sem contexto claro”, aconselha.
Com informações de Jornaldaparaiba



