Um levantamento do jornal Estado de Minas revela que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) mencionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva 193 vezes em seus pronunciamentos na Câmara dos Deputados, entre fevereiro de 2023 e dezembro de 2025, enquanto fez apenas 11 referências a “Minas Gerais” ou “mineiros” no mesmo período.
Detalhes do levantamento
A análise considerou cerca de 140 discursos proferidos por Nikolas na tribuna da Casa. Apesar de ter obtido 1.492.047 votos nas eleições de 2022, o parlamentar prefere abordar temas de caráter nacional e manter postura de oposição ao governo federal. O nome “Lula” figura entre as três expressões mais frequentes em seus discursos, superado apenas por “país” (252 citações) e “ministro” (144).
Outras palavras associadas à disputa ideológica também aparecem com destaque: “esquerda” foi mencionada 156 vezes, enquanto “Bolsonaro” teve 117 referências. Já termos ligados a políticas públicas tiveram uso discreto: “saúde” (26 vezes), “educação” e “escola” (15 cada), “alimento” (8), “economia” (5) e “saneamento” (4.
Defesa do deputado
Em nota oficial, a assessoria de Nikolas Ferreira justificou que as menções refletem as pautas em votação e o impacto nacional dos temas. Segundo o deputado, o uso da tribuna destina-se a denunciar abusos de poder, defender a liberdade de expressão e combater a corrupção. Ainda de acordo com a defesa, a citação de autoridades — como o presidente da República e ministros do Supremo Tribunal Federal — faz parte da função de fiscalização do mandato.
Sobre a representatividade de Minas Gerais, a assessoria destacou que, até janeiro de 2026, o gabinete de Nikolas empenhou R$ 81,6 milhões em emendas ao estado, com recursos voltados principalmente para saúde, segurança pública, assistência social e educação.
Análise de especialistas
Para o cientista político Paulo Ramirez, o padrão discursivo aponta para uma estratégia de projeção nacional e de consolidação como liderança do bolsonarismo. Já o professor da UFMG Camilo Aggio avalia que o volume de referências ilustra um perfil político personalista, pouco vinculado a agendas territoriais. Segundo Aggio, políticos com esse modelo usam carreiras regionais para se eleger, mas baseiam sua comunicação em pautas amplas que atraem um eleitorado disperso.
O professor também ressalta a influência das mídias digitais: afirma que Nikolas Ferreira adota técnicas de influenciadores, priorizando debates culturais e morais em detrimento de temas específicos de Minas Gerais, como mineração, desenvolvimento regional e sustentabilidade.
Com informações de Polemicaparaiba



