O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referente a janeiro de 2026, registrou alta de 0,33%, o mesmo patamar observado em dezembro de 2025. O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (10) no Rio de Janeiro.

No acumulado em 12 meses, o IPCA chegou a 4,44%, permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta oficial, que varia de 1,5% a 4,5%, conforme definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Principais pressões

O aumento no preço da gasolina exerceu o maior impacto positivo, adicionando 0,10 ponto percentual ao índice, enquanto a redução da tarifa de energia elétrica residencial foi o principal componente de alívio, com -0,11 ponto percentual.

Meta de inflação e previsões

A meta central para 2026 é de 3%, com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos. Desde novembro de 2025, o IPCA se mantém dentro dessa faixa. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, a projeção média do mercado para o IPCA em 2026 é de 3,97%.

Composição do índice

O IPCA mede a variação de preços para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, abrangendo 377 produtos e serviços. Em janeiro, nove grupos foram pesquisados, com dois apresentando deflação:

Comunicação: +0,82% (0,04 p.p.) Saúde e cuidados pessoais: +0,70% (0,10 p.p.) Transportes: +0,60% (0,12 p.p.) Despesas pessoais: +0,41% (0,04 p.p.) Alimentação e bebidas: +0,23% (0,05 p.p.) Artigos de residência: +0,20% (0,01 p.p.) Educação: +0,02% (0,00 p.p.) Habitação: -0,11% (-0,02 p.p.) Vestuário: -0,25% (-0,01 p.p.)

Combustíveis e transportes

O grupo transportes foi fortemente influenciado pelos combustíveis, que subiram em média 2,14%. A gasolina teve elevação de 2,06% em janeiro, reflexo do reajuste do ICMS no início do ano. Etanol (+3,44%), óleo diesel (+0,52%) e gás veicular (+0,20%) também registraram aumento. No final do mês, a Petrobras anunciou redução de 5,2% no preço da gasolina.

O custo com ônibus urbano avançou 5,14%, com reajustes em seis capitais: Fortaleza (20%), São Paulo (6%), Rio de Janeiro (6,38%), Salvador (5,36%), Belo Horizonte (8,70%) e Vitória (4,16%). Em sentido inverso, transportes por aplicativo caíram 17,23% e passagem aérea, 8,9%.

Energia elétrica mais barata

No grupo habitação, a tarifa residencial de energia elétrica recuou 2,73%. A mudança da bandeira amarela para a verde em janeiro eliminou a cobrança adicional na conta de luz.

Alimentos

O grupo alimentação e bebidas, com peso de 21,42% na cesta familiar, subiu 0,23%, menor variação desde 2006. A alimentação no domicílio avançou 0,10%, influenciada pela queda do leite longa vida (-5,59%) e do ovo (-4,48%). Por outro lado, o tomate disparou 20,52% e as carnes subiram 0,84% (contrafilé +1,86%; alcatra +1,61%). Fora de casa, a alta foi de 0,55% (refeições +0,66%; lanches +0,27%).

Espalhamento da inflação

O índice de difusão alcançou 64% em janeiro, ante 60% em dezembro. Os preços de serviços tiveram variação de 0,10%, menor desde junho de 2024, enquanto os preços monitorados (combustíveis, tarifas e contratos) cresceram 0,53%, totalizando 7,48% em 12 meses.

A coleta de preços ocorre em 14 regiões metropolitanas e em cidades do interior, abrangendo 377 subitens para levantamento do custo de vida no país.

Com informações de Agência Brasil