O Progressistas (PP) articula a abertura de palanques para o presidente Lula em seis estados do Nordeste, mesmo mantendo discurso nacional de oposição. A sigla, integrante da Esplanada dos Ministérios, adotou a neutralidade na disputa presidencial de 2026 para facilitar negociações regionais e ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados.

O partido enfrenta forte divisão interna, em que lideranças do Norte e Nordeste tendem a compor coligações com o PT, enquanto quadros do Centro-Sul se mantêm alinhados a projetos de centro-direita. Para conciliar interesses divergentes, dirigentes do PP defendem pragmatismo e a possibilidade de cada diretório estadual firmar alianças locais.

Reportagens da Folha de S.Paulo revelaram que o processo de aproximação se intensificou após um encontro reservado, supostamente realizado no final do ano passado, entre o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, e Lula. Embora Nogueira tenha negado a reunião, membros do partido garantem que a conversa ajudou a reabrir canais de diálogo com o Palácio do Planalto e com o PT.

As negociações avançam nos estados de Piauí, Paraíba, Maranhão, Ceará, Alagoas e Pernambuco. Em alguns locais, o PP busca apenas neutralidade; em outros, discute composições formais de palanques.

Paraíba

Na Paraíba, o candidato do PP ao governo, Lucas Ribeiro, confirmou que terá Lula em seu palanque, oficializando aliança com o PT. A decisão reforça a estratégia estadual de priorizar apoios que garantam maior competitividade eleitoral, apesar do posicionamento crítico do partido em âmbito nacional.

Piauí

No Piauí, berço político de Ciro Nogueira, o PT pretende lançar Rafael Fonteles à reeleição, com apoio do MDB e do PSD. O PP negocia para que o presidente Lula não interfira diretamente nas bases políticas do senador, preservando a autonomia local.

Alagoas

Em Alagoas, o senador Renan Calheiros e seu filho Renan Filho articulam a formação de uma chapa majoritária que vise equilibrar a relação com o governo federal. Embora avaliem aproximação com o PT, querem manter independência em relação a eventuais cargos executivos.

Maranhão, Ceará e Pernambuco

No Maranhão, caciques regionais do PP debatem a integração em palanques com o PT, considerando benefícios em bancadas proporcionais. No Ceará, as tratativas envolvem possíveis indicações para secretarias estaduais em troca de apoio eleitoral. Em Pernambuco, dirigentes conversam sobre vagas para o Legislativo e cooperação administrativa.

Em outros cenários, como na Bahia, o partido já participa do governo do petista Jerônimo Rodrigues enquanto apoia, internamente, o pré-candidato do União Brasil, ACM Neto, ao governo estadual. Isso exemplifica o desafio de conciliar opções locais com coerência nacional.

Dirigentes do PP afirmam que a definição final sobre as alianças será adiada até a janela partidária de 2026, a fim de avaliar o panorama político nacional e regional, além de possíveis impactos de futuras federações partidárias.

Com informações de Polemicaparaiba