No período do Carnaval, o farmacêutico e bioquímico Dr. Bruno Fernandes chamou atenção para os riscos das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a importância da prevenção. Em entrevista à TV Diário do Sertão, o especialista explicou por que certas doenças podem passar despercebidas em exames de rotina logo após o contágio.
De acordo com o Dr. Bruno, o principal desafio está no chamado período de janela, intervalo entre a infecção e a capacidade dos testes de identificar o patógeno ou os anticorpos produzidos pelo organismo. “Os vírus dependem da célula do hospedeiro para se multiplicar. Eles entram na célula, utilizam seu maquinário e levam certo tempo até alcançar níveis detectáveis pelos métodos sorológicos tradicionais”, detalhou.
HIV e janela imunológica
No caso do HIV, o exame sorológico comum — como o teste rápido disponibilizado pelo SUS — pode apresentar resultado negativo por até seis meses após a infecção. Isso ocorre porque esses testes identificam anticorpos anti-HIV, que só atingem concentração suficiente no sangue após semanas ou meses de contato com o vírus. “Em alguns pacientes, a sorologia demora meio ano para virar positivo”, alertou o bioquímico.
Ele destacou, porém, que existem métodos baseados em biologia molecular capazes de detectar diretamente fragmentos do HIV ou partículas virais antes mesmo da formação dos anticorpos. Esses testes, embora mais sensíveis, têm custo elevado e infraestrutura laboratorial mais complexa.
Sífilis muitas vezes silenciosa
O Dr. Bruno também ressaltou que a sífilis pode se manifestar sem sinais perceptíveis em estágio inicial, favorecendo a transmissão involuntária. “Sem sintomas evidentes, o contaminado não busca diagnóstico e pode transmitir a bactéria, especialmente quando não usa preservativo”, explicou. Ele chamou atenção para os riscos em gestantes, já que a sífilis vertical pode causar complicações graves no feto.
Medida simples de prevenção
Apesar das explicações técnicas sobre reprodução viral e bacteriana, o farmacêutico reforçou que a forma mais eficaz de evitar as ISTs é o uso correto e contínuo do preservativo. “A diversão no Carnaval não está dissociada da responsabilidade: ao manter relações com parceiros desconhecidos, a camisinha continua sendo o melhor método de proteção”, concluiu.
Sobre o especialista
Dr. Bruno Fernandes é farmacêutico, bioquímico e diretor técnico do Laboratório de Análises Clínicas Dr. Ivan Cavalcanti, situado na Rua Cel. Juvêncio Carneiro, nº 579, no Centro de Cajazeiras.
Com informações de Diariodosertao



