Moradores de Santa Rita, na Grande João Pessoa, relataram sensação de insegurança após um ataque a tiros que deixou três mortos e seis feridos no último domingo (16). A Polícia Civil investiga o episódio como resultado de disputa entre facções criminosas.

Em entrevistas à TV Cabo Branco, moradores afirmaram que a violência cotidiana os obrigou a mudar de residência. Um morador, que preferiu não se identificar, disse que deixou a casa própria e passou a morar de aluguel por preocupação com a segurança dos filhos. “Falta segurança, falta tudo. Muito tiro está tendo ultimamente. Isso faz a gente sair da nossa própria casa para pagar aluguel em lugar mais tranquilo”, relatou.

Dados do Ministério da Justiça apontam que, em 2025, a Paraíba registrou 900 homicídios, e Santa Rita foi a segunda cidade com mais casos no estado, atrás apenas de João Pessoa. Do total, 446 homicídios ocorreram em cidades da Grande João Pessoa.

Atuação da Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar informou que intensificou ações preventivas na Grande João Pessoa após o ataque. Durante as operações, foi encontrado um acampamento improvisado em área de mata, com barracas, roupas e calçados. O tenente-coronel Bruno, que lidera a operação, afirmou ao Jornal da Paraíba que “é uma possibilidade” de o local ter sido utilizado por suspeitos do ataque; cerca de 20 pessoas são apontadas como suspeitas de participação.

A PM informou ainda que continuará com rondas, abordagens e incursões em áreas consideradas de risco. A Rede Paraíba tentou contato com a Secretaria de Segurança da Paraíba, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

O ataque

Segundo o delegado Ivaney Ferreira, presente ao local, a ação ocorreu por volta das 4h30 em uma residência próxima ao Aeroporto Castro Pinto, durante uma festa. Testemunhas relataram que um grupo armado chegou ao local e começou a disparar. Na perícia inicial foram encontrados cerca de 50 cartuchos de munição de calibres variados, incluindo fuzis 5.56, fuzis 7.62 e diversas pistolas.

Conforme o delegado, os suspeitos atiraram contra duas pessoas, o que levou outros participantes a fugir, pulando o muro da casa. Há relatos de gritos com referência a uma organização criminosa. Entre as vítimas, o organizador da festa está entre os mortos. A verificação inicial apontou que nenhuma das vítimas tinha mandado de prisão em aberto ou antecedentes criminais; foi mencionado que o pai de uma das vítimas era supostamente envolvido com tráfico e que outro ferido já havia sido alvo de tentativa de homicídio no passado. Três das seis pessoas levadas ao hospital permanecem internadas, segundo o Hospital de Trauma de João Pessoa.

Prisões e apreensões

Cinco suspeitos foram detidos pela PM ainda na tarde de domingo (15), na cidade de Bayeux. Entre os detidos há três adolescentes e um homem apontado como proprietário da casa onde o grupo estava escondido; não há confirmação de participação direta dele no crime. Com o grupo foram apreendidas duas armas de fogo, uma réplica e drogas. A polícia informou que os suspeitos estavam queimando o documento de uma das vítimas e possuíam celulares pertencentes às pessoas atingidas.





As investigações da Polícia Civil continuam com o objetivo de identificar e prender outros envolvidos no ataque.

Com informações de Jornaldaparaiba