O bairro de Bodocongó, em Campina Grande, consolidou-se ao longo de quase um século como o principal centro de ciência, educação e inovação do município. A trajetória começou em 1934, às margens do açude que dá nome à localidade, quando o zoólogo Rodolpho von Ihering e a Comissão Técnica de Piscicultura do Nordeste (CTPN) realizaram a primeira reprodução artificial de peixes no Brasil.
Primeiro laboratório a céu aberto
A escolha do açude de Bodocongó ocorreu pela proximidade com a área urbana em expansão e pelas condições apropriadas para os estudos. No mesmo ano, o norte-americano Stillman Wright desenvolveu pesquisas que inauguraram a Limnologia brasileira, transformando o reservatório em um laboratório natural para investigações sobre águas interiores.
Da indústria ao ensino superior
Nos anos 1950, Bodocongó abrigava indústrias impulsionadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A mudança de perfil começou em 1952, com a criação da Escola Politécnica, que deu origem aos primeiros cursos de Engenharia. Três anos depois, surgiu a Faculdade de Ciências Econômicas, reforçando a presença do ensino superior na cidade.
O marco definitivo ocorreu em 1964, quando o campus da então Universidade Federal da Paraíba (UFPB) passou a funcionar no bairro. A partir daí, as salas de aula passaram a dividir espaço com as antigas fábricas.
Expansão universitária
Na década de 1970, a Fundação Universitária de Ensino (Furne), fundada por Edvaldo de Souza do Ó, introduziu cursos de licenciatura e, posteriormente, áreas de saúde e tecnologia. Em 1987, a instituição foi estadualizada e se transformou na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
A evolução do ensino superior culminou, em 2002, na criação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), após o desmembramento da UFPB. O crescimento das duas universidades impulsionou a construção civil e a verticalização do bairro para atender à demanda de moradia de estudantes de diversas regiões do Brasil e do exterior.
Imagem: Internet
Novo ecossistema de inovação
Com o passar do tempo, o bairro incorporou o Parque Tecnológico, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Esses equipamentos consolidaram Bodocongó como um ecossistema voltado à pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação profissional.
Quase cem anos após a experiência pioneira de Ihering, Bodocongó permanece como o coração científico de Campina Grande, unindo legado histórico e perspectivas de inovação.
Com informações de g1.globo.com



