Em posições políticas divergentes, os vereadores Raoni Mendes e Milanez Neto concordaram que a Assembleia Legislativa tem se omitido quanto à crise hídrica que atinge João Pessoa e outras áreas do estado. A avaliação foi feita durante debate realizado nesta quarta-feira (18) na Rádio CBN.

Os dois parlamentares, mesmo em lados opostos do espectro político, apontaram que a discussão sobre a falta d’água não tem recebido a atenção necessária por parte da Casa Legislativa estadual. Ambos defenderam que a questão exige transparência e ação institucional, embora proponham caminhos distintos para o enfrentamento do problema.

Raoni Mendes, integrante da base de apoio ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), defendeu que a Câmara Municipal deve promover investigação por meio de uma CPI local, diante do que considera a inércia da Assembleia. Segundo ele, a Prefeitura e a Câmara precisam assumir o debate enquanto a pauta permanece paralisada no âmbito estadual.

Por sua vez, Milanez Neto afirmou ser favorável à criação da comissão parlamentar de inquérito, mas criticou a atitude da base governista na Câmara por ter rejeitado um pedido de realização de audiência pública sobre o tema. Ele ressaltou que a questão da água é de competência do Estado e que a Assembleia também deveria abrir espaço para o debate, sem, no entanto, retirar da Câmara de João Pessoa a prerrogativa de atuar no caso.

Contexto

A base do prefeito Cícero Lucena na Câmara municipal tem defendido a instalação da CPI da Cagepa para apurar problemas relacionados ao abastecimento. Recentemente, vereadores favoráveis à abertura da comissão derrubaram um requerimento que solicitava audiência pública, alegando que esse encontro poderia enfraquecer os trabalhos da CPI.

Do outro lado, parlamentares de oposição afirmam que a CPI serviria para impedir a criação de outras comissões e manifestaram estranhamento pela não realização da audiência pública, que, na visão deles, poderia ampliar o debate com participação da sociedade e de especialistas.

O impasse revela divisão sobre a estratégia institucional para lidar com a crise de abastecimento, mas aponta consenso entre opositores políticos e aliados quanto à responsabilidade da Assembleia em levar o tema adiante.

Com informações de Jornaldaparaiba