Três capacidades físicas — capacidade cardiorrespiratória, força muscular e equilíbrio — são determinantes para a forma como uma pessoa irá envelhecer, influenciando não só a longevidade, mas especialmente a qualidade de vida, autonomia e independência nos anos seguintes.

Fôlego como indicador de risco

A aptidão cardiorrespiratória, frequentemente avaliada pelo VO₂ máximo, indica quanto oxigênio o organismo consegue captar e utilizar durante esforços e é um dos marcadores mais consistentes de longevidade estudados. O VO₂ reflete o trabalho integrado de pulmões, coração, vasos, músculos e metabolismo.

Um estudo publicado em 2018 na JAMA Network Open, que acompanhou mais de 122 mil pessoas por aproximadamente oito anos, apontou que maior condicionamento cardiorrespiratório está associado a menor risco de morte por qualquer causa. Os autores observaram que não houve um ponto de saturação do benefício: quanto melhor o condicionamento, melhor o prognóstico, inclusive entre idosos e pessoas com hipertensão ou doença cardíaca.

Como avaliar fora do laboratório

Nem todas as pessoas realizam testes cardiopulmonares de esforço em consultório, mas existem ferramentas validadas para estimar a capacidade cardiorrespiratória a partir de atividades rotineiras. Um dos instrumentos mais utilizados é o DASI — Duke Activity Status Index — um questionário que investiga se o indivíduo consegue caminhar, subir escadas, executar tarefas domésticas e praticar atividades recreativas. A pontuação do DASI correlaciona-se com o VO₂ máximo e com o risco cardiovascular.

Para quem quiser avaliar-se, há versões do DASI disponíveis online para preenchimento.

Força muscular e autonomia

A perda de força muscular compromete o desempenho e traduz-se em risco maior de quedas, hospitalizações e perda de independência. Movimentos simples do dia a dia, como levantar-se de uma cadeira, subir degraus ou carregar compras, refletem essa capacidade. Testes práticos, por exemplo o de sentar e levantar da cadeira, são capazes de identificar diminuição funcional precoce e orientar intervenções preventivas.

Equilíbrio e risco de quedas

A partir dos 50 anos, as quedas passam a ser uma das principais causas de redução da qualidade de vida. O equilíbrio depende da integração entre sistema nervoso, visão e musculatura. Avaliações simples, como manter-se em uma perna por 30 segundos, conseguem sinalizar maior risco de queda e fragilidade.

Prevenção com movimento

Pesquisas mostram que fôlego, força e equilíbrio são pilares da chamada longevidade funcional e que esses aspectos podem ser treinados em qualquer idade. Cuidar dessas capacidades no presente contribui para um futuro com mais autonomia e qualidade de vida.

Com informações de Jornaldaparaiba