A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) publicou uma nota técnica com novas orientações para a realização do exame papanicolau, voltadas à ampliação do acesso e à promoção da equidade no atendimento da população LGBTQIAPNB+. As medidas visam aumentar a adesão ao teste e diminuir experiências negativas durante o atendimento ginecológico.
Segundo o documento, a escolha do espéculo deve ser individualizada, considerando o biotipo da pessoa, seu histórico sexual e o contexto anatômico e psicossocial. A nota técnica recomenda a utilização de espéculos nos tamanhos PP e P em situações específicas, como atendimentos a mulheres lésbicas e bissexuais e a homens trans que mantêm canal vaginal preservado.
O texto detalha que o espéculo tamanho P é especialmente indicado para mulheres que nunca tiveram relação sexual com penetração vaginal, para lesbianas e bissexuais que não realizam com frequência esse tipo de prática e para homens trans em uso de testosterona, já que a hormonioterapia pode causar atrofia e ressecamento vaginal, elevando o risco de dor durante o procedimento.
Além desses grupos, a orientação vale para pessoas com histórico de violência sexual, aquelas que sofrem disforia de gênero, indivíduos que apresentam ansiedade relacionada a exames ginecológicos e para situações anatômicas específicas, como canal vaginal estreito ou condições pós-cirúrgicas. A nota ressalta que o uso de espéculos menores não prejudica a qualidade da amostra, desde que a coleta seja realizada com técnica e atenção apropriadas.
O documento também reforça que o exame papanicolau deve ser ofertado a qualquer pessoa com colo do útero, em conformidade com as diretrizes do Instituto Nacional de Câncer (Inca), independentemente de identidade de gênero ou orientação sexual. Profissionais de saúde são orientados a garantir acolhimento respeitoso, o uso do nome social e dos pronomes preferenciais, além de fornecer explicações claras sobre todas as etapas do procedimento.
De acordo com a promotora Fabiana Lobo, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) instaurou procedimento para apurar a baixa adesão ao exame entre esse público, que vinha relatando barreiras físicas, emocionais e institucionais durante atendimentos ginecológicos. A SES-PB indica que as novas diretrizes buscam fortalecer o direito à saúde no estado e reduzir obstáculos ao acesso.
As orientações foram formalizadas pela SES-PB na nota técnica publicada pela secretaria, com o objetivo declarado de ampliar a cobertura do exame e melhorar a experiência de atendimento para pessoas LGBTQIAPNB+.
Com informações de Jornaldaparaiba



