Uma audiência relacionada à investigação do influenciador Hytalo Santos e do marido dele, Israel Vicente, na Justiça do Trabalho foi marcada para o dia 20 de março. Ambos são réus em ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) que os acusa de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e de submeter menores a condições análogas à escravidão.
Segundo nota do MPT, o processo tramita em segredo de justiça por envolver situações de violência contra crianças e adolescentes e para evitar a revitimização. A denúncia integra investigação administrativa distinta da esfera criminal — cuja decisão foi publicada no domingo (22) — na qual Hytalo foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão e Israel a 8 anos, 10 meses e 20 dias, ambos em regime inicialmente fechado.
A reportagem do JORNAL DA PARAÍBA tentou contato com a defesa dos acusados, mas não obteve resposta até o momento. Quando os dois passaram a figurar como réus, em dezembro de 2025, os advogados afirmaram que o MPT não teria legitimidade para ajuizar a ação civil e sustentaram que a redução à condição análoga à de escravo só poderia ser demonstrada por meio de provas de degradação das condições de trabalho, o que, segundo a defesa, não foi apresentado.
O MPT aponta indícios de práticas irregulares envolvendo menores atraídos para morar na residência de Hytalo Santos e submetidos a rotina de trabalho. Entre as condutas destacadas pelo órgão estão o isolamento do convívio familiar; confisco de meios de comunicação com o exterior; ausência de convívio social mais amplo; cerceamento da liberdade de ir e vir; rigoroso controle de rotina; agenda exaustiva de gravações com privação de sono; falta de remuneração; supressão da autonomia individual e financeira; coação psicológica com ameaça de descarte; e ingerência sobre identidade de gênero e orientação sexual.
Atendendo a pedido do MPT, a Justiça do Trabalho expediu ofícios a órgãos de proteção à infância e adolescência para que providenciem assistência psicológica, médica e social imediata às crianças e adolescentes envolvidas. Desde agosto, a Justiça do Trabalho da Paraíba determinou também o bloqueio de veículos, empresas, bens e valores dos acusados, medida que pode alcançar até R$ 20 milhões.
Medidas requeridas pelo MPT
Na ação, o Ministério Público do Trabalho solicitou pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 12 milhões e indenizações individuais às vítimas, de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões. Para menores que ainda não atingiram a maioridade, o MPT pediu que as indenizações individuais sejam depositadas em cadernetas de poupança abertas especificamente para esse fim, com movimentação somente após os beneficiários completarem 18 anos.
O processo segue em segredo de justiça até o andamento da audiência marcada para 20 de março.
Com informações de Jornaldaparaiba


