O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, que a redução da jornada de trabalho é uma tendência global. A declaração foi feita durante cerimônia na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), quando Alckmin assinou um acordo de cooperação com a entidade para combater práticas desleais e ilegais no comércio exterior brasileiro.

No evento, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pediu que o debate sobre o fim da escala 6×1 seja postergado para 2027, argumentando que as disputas eleitorais deste ano poderiam influenciar emoções e motivações contrárias aos interesses do país. “A gente precisa que essa discussão vá para 2027”, disse Skaf durante a assinatura dos protocolos de intenções.

Em resposta, Alckmin afirmou que a discussão sobre redução da jornada já ocorre internacionalmente e que o tema deve ser aprofundado, sem pressa excessiva, levando em conta as diferenças entre segmentos produtivos. “Há uma tendência mundial de você ter uma redução. Aliás, isso já vem acontecendo… Mas isso é uma tendência”, declarou o presidente em exercício.

Defesa comercial

Ao lado de Skaf, Alckmin assinou dois documentos: um protocolo de intenções sobre defesa comercial e outro voltado ao ambiente regulatório, com o objetivo de enfrentar a burocratização e elevar a competitividade. Segundo a Fiesp, o protocolo de defesa comercial estabelece bases para cooperação institucional entre o ministério e a entidade, visando promover comércio justo e utilizar adequadamente instrumentos de defesa contra práticas desleais previstas na legislação nacional e internacional.

Entre as ações previstas no acordo está a criação de uma calculadora de margem de dumping e o intercâmbio de experiências e ferramentas técnicas. O protocolo sobre ambiente regulatório prevê medidas para reduzir custos regulatórios e administrativos, ampliar a digitalização de serviços públicos e integrar sistemas, buscando facilitar empreendimentos e investimentos no país.

Skaf afirmou que a iniciativa busca proteger setores e empregos brasileiros de ataques considerados injustos e que a formalização dos acordos é um passo para consolidar uma defesa comercial mais eficiente.

Selic

Durante a reunião da diretoria da Fiesp, Alckmin também declarou confiança de que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a reduzir a taxa básica de juros (Selic) já na próxima reunião, marcada para março. A Selic está atualmente em 15% ao ano. O presidente em exercício relacionou essa expectativa à valorização do real e à desinflação dos alimentos, apontando uma possível melhora na economia com a tendência de queda dos juros.

Taxação

Alckmin comentou ainda sobre a tarifa global de 15% anunciada pelos Estados Unidos nesta semana, medida que o presidente em exercício considerou positiva para o Brasil. A alteração, anunciada por Donald Trump após decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou tarifas anteriores, aplica a mesma alíquota a todos os países, diferentemente do regime anterior que variava por nação.

“O problema dos 10% + 40% [de taxas] era um problemão [para o Brasil]. Mas essa decisão de 15% não tem problema porque são 15% para nós e para o mundo inteiro. Agora, o país mais beneficiado no mundo foi o Brasil. Abre aí uma avenida em termos de voltar a ter um comércio exterior importante com os Estados Unidos”, afirmou Alckmin.

A cerimônia de assinatura dos acordos ocorreu durante reunião da diretoria da Fiesp, com participação de representantes do setor produtivo.

Com informações de Agência Brasil