A defesa do policial militar José Eduardo de Oliveira Filho divulgou nota nesta segunda-feira (23) contestando a imputação de tentativa de homicídio relacionada a agressões ocorridas durante o Bloco das Muriçocas do Miramar, em João Pessoa. O agente é acusado de atacar o filho e a filha do deputado federal Mersinho Lucena (PP) no Camarote Cabo Branco, episódio registrado em 11 de fevereiro.
Segundo os advogados, não houve intenção de matar e as acusações desconsideram “a realidade dos fatos e a ausência de qualquer indício de dolo”, na avaliação da defesa. Os defensores também afirmaram estranheza e preocupação com a rapidez e o rigor adotados no processo.
Em sua versão, a defesa sustenta que José Eduardo reagiu a agressões que, segundo eles, teriam sido iniciadas por um grupo de jovens que promovia desordem no local, e nega que o policial tenha empreendido um ataque deliberado contra as vítimas.
Os defensores ainda mencionaram que as supostas vítimas mantêm parentesco com figuras políticas influentes, sugerindo que o caso teria recebido tratamento influenciado por pressões externas, em vez de ser conduzido apenas com base em critérios técnicos.
Decisão judicial e prisão
A Justiça da Paraíba manteve nesta segunda-feira (23) a prisão preventiva do policial. Como José Eduardo é militar, a audiência de custódia determinou que a medida seja cumprida no 1º Batalhão da Polícia Militar da Paraíba, no Centro de João Pessoa.
A prisão preventiva foi decretada em 13 de fevereiro, mas o policial só foi detido no domingo (22). O juiz André Ricardo de Carvalho Costa considerou necessária a reclusão diante da gravidade das agressões relatadas, apontando para a intensidade e o potencial lesivo das ações atribuídas ao agente.
Na avaliação do magistrado, as condutas descritas — incluindo a aplicação de golpes tipo “mata-leão”, cotoveladas e chutes na cabeça, em contexto de festa e atuação conjunta — revelariam elevado grau de periculosidade e risco de reiteração, justificando a custódia para garantia da ordem pública.
Relatos das vítimas informaram que o filho do deputado, menor de idade, teria sido enforcado pelo policial e só escapado do golpe após a namorada atingir o agressor nas costas. Em seguida, o acusado teria desferido um soco na jovem, que caiu e se cortou ao pisar em vidro quebrado. Um amigo do casal chegou a desmaiar em razão das agressões.
No evento, José Eduardo estava acompanhado por um homem identificado como Pedro Henrique de Brito Lima, que também teve prisão decretada e, até o momento, permanece foragido.
A investigação segue em curso e o processo continuará a tramitar conforme as medidas determinadas pela Justiça.
Com informações de Maispb



