Familiares e sobreviventes do acidente com um ônibus escolar em Pilões moveram ações contra a Prefeitura Municipal e contra Adriano da Silva, proprietário da empresa dona do veículo, exigindo indenizações que somam mais de R$ 3,4 milhões. O caso refere-se ao tombamento do ônibus ocorrido em 1º de abril de 2025, na Ladeira do Espinho, rodovia PB-077, enquanto estudantes eram transportados para Guarabira.
As maiores reparações pleiteadas são das famílias de Fátima Antonela, de 16 anos, e de Gustavo Batista Belo da Silva, de 13 anos, mortos no local do acidente. Cada família requereu R$ 720 mil argumentando sofrer “dor, sofrimento e angústia” pela perda precoce dos jovens. Outra vítima que teve uma perna amputada requer R$ 500 mil, divididos em R$ 300 mil por danos morais e R$ 200 mil por danos estéticos. As demais reivindicações variam entre R$ 100 mil e R$ 300 mil.
A redação do veículo tentou contato com a Prefeitura de Pilões para obter posicionamento sobre as ações, mas foi informada de que não havia ninguém disponível para responder às perguntas da reportagem.
Investigação aponta falha em peça de R$ 25 e irregularidades no ônibus
O inquérito da Polícia Civil concluiu que o tombamento foi provocado por uma falha no sistema de freios decorrente de vazamento em uma mangueira de ar comprimido instalada no pneu dianteiro esquerdo. Segundo a perícia, a peça defeituosa tinha custo aproximado de R$ 25 e o escape de ar comprometeu totalmente a eficiência da frenagem, sendo apontado como principal causa do acidente.
Além da mangueira com vazamento, a perícia identificou outras irregularidades no veículo: ausência de cintos de segurança em todas as poltronas, falta do disco do tacógrafo — o que impede o controle da velocidade — e inexistência de vistoria por órgão de trânsito competente. A polícia também informou que o ônibus circulava sem fiscalização municipal adequada.
O delegado Walter Brandão afirmou que, diante das falhas e da falta de fiscalização, constatou-se a responsabilidade do proprietário do veículo, bem como de integrantes da administração municipal vinculados ao transporte escolar. Foram indiciados o proprietário Adriano da Silva, o secretário de educação Fabiano Cassimiro e o diretor de transportes Francisco José Fernandes de Souza por duplo homicídio culposo no trânsito e por lesão corporal culposa.
A pena prevista para homicídio culposo no trânsito pode chegar a quatro anos de prisão, enquanto a de lesão corporal culposa alcança até dois anos. A parte da apuração que envolve a prefeita de Pilões, Soraya Ferreira da Cunha, foi remetida ao Tribunal de Justiça da Paraíba em razão do foro privilegiado.
No acidente, além das duas mortes confirmadas pelo Corpo de Bombeiros — das quais foram vítimas Fátima Antonela e Gustavo Batista —, 29 alunos ficaram feridos e foram atendidos no Hospital Regional de Guarabira. Sete deles foram transferidos para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa; quatro desses transferidos apresentaram traumatismo craniano.
As famílias agora buscam na Justiça as reparações financeiras pelos danos sofridos em decorrência do acidente.
Com informações de Maispb



