João Lucas Dusi, escritor e editor que mora em Curitiba (PR), lançou o livro Madame Psicose, obra curta de pouco mais de setenta páginas que mistura ficção e trechos de escrita íntima para traçar a voz de um narrador em crise.

No livro, o protagonista — descrito pelo autor como um personagem em abstinência e dependente de cocaína — desfia crônicas em primeira pessoa que atacam diversas esferas da vida social: a academia, patrões, trabalhadores, segmentos artísticos, intelectuais e políticos. A prosa é marcada por linguagem agressiva, referências que vão da alta cultura à cultura pop e um trabalho de linguagem bastante incisivo, segundo Dusi.

Madame Psicose não se apresenta apenas como uma narrativa linear: o conjunto articula fragmentos, histórias curtas e reflexões de tom histérico para compor um mosaico existencial. Em entrevista ao MaisPB, Dusi afirmou que o caos da narrativa exige uma lógica interna e que o livro busca provocar desconforto no leitor, ao mesmo tempo em que serve de laboratório para a dicção de personagens de obras anteriores, como o romance O diabo na rua (2022).

O autor explicou também a origem do título: o nome “Madame Psicose” é o mesmo de sua editora e foi “emprestado” de uma personagem do romance Graça infinita, de David Foster Wallace. Segundo Dusi, o título funciona como marca sonora e como justificativa para o registro narrativo urgente e áspero presente no livro.

Além de Madame Psicose, Dusi publicou o romance O diabo na rua (2022) e a coletânea de contos O grito da borboleta (2019). Em 2024 organizou o volume Provocações: entrevistas – João Lucas Dusi, que reúne 23 entrevistas com profissionais ligados às letras em homenagem ao programa do Antônio Abujamra, transmitido pela Band. Entre os entrevistados do volume estão André Sant’Anna, Reinaldo Moraes, Caetano Galindo, Luci Collin, Giovana Madalosso e Márcia Barbieri.

Sobre a relação entre experiência pessoal e ficção, Dusi defende que a vivência urbana alimenta a narrativa, mas que a ficção precisa temperar essa base com liberdade imaginativa para evitar relatos puramente autobiográficos ou assépticos. O autor também comenta a presença do tema das desigualdades e das relações de poder nas suas páginas, apontando a voz narrativa como meio de satirizar e radicalizar críticas sociais.

Madame Psicose está à venda no site da editora (www.madamepsicose.com) e, segundo Dusi, em breve será disponibilizado nos grandes marketplaces, com foco na Amazon, via UmLivro. O autor comenta as dificuldades comerciais enfrentadas por pequenas editoras, citando altas taxas, custos de frete e prazos de repasse por parte das livrarias.

João Lucas Dusi trabalhou por anos nos jornais de literatura Cândido e Rascunho e segue atuando como editor em Curitiba.

Com informações de Maispb