Dois anos após serem capturados, Antônio Inácio da Silva Neto, conhecido como Antônio Ais, e sua esposa Fabrícia Farias, sócios da empresa de criptoativos Braiscompany, continuam em prisão domiciliar na Argentina e não têm previsão para retorno ao Brasil.
O casal foi preso em 29 de fevereiro de 2024, na cidade de Escobar, na Argentina, depois de passar mais de um ano foragido. Eles foram localizados em um condomínio de alto padrão, segundo investigações que começaram com a Operação Halving, deflagrada em fevereiro de 2023 pela Polícia Federal.
Antônio Neto e Fabrícia já foram condenados pela Justiça brasileira a penas que chegam a até 88 anos por crimes contra o sistema financeiro. Investigações apontaram desvio de R$ 1,11 bilhão de aproximadamente 20 mil clientes. Recentemente, a Justiça da Paraíba decretou a falência da Braiscompany.
Em 26 de novembro, o Tribunal Nacional Criminal e Correcional Federal da Argentina autorizou a extradição do casal para o Brasil, registrando que o período em que Antônio Neto esteve detido na Argentina deverá ser computado no processo brasileiro. Ainda assim, a defesa entrou com recurso na Justiça argentina contra essa autorização.
Os advogados informaram que os procedimentos para o retorno começaram em março de 2024, mas que, até o momento, não existe ordem de extradição formalizada nem data prevista para o traslado dos dois ao Brasil.
A Embaixada do Brasil em Buenos Aires declarou que “o processo continua em andamento sem previsão para emissão de sentença definitiva por parte da Justiça local” e afirmou não dispor de outras informações. A Justiça argentina não divulgou novas atualizações, e a Justiça Federal brasileira informou que o processo tramita sob segredo de justiça.
Contexto sobre a Braiscompany
A Braiscompany, com sede em Campina Grande, oferecia gestão de ativos digitais e soluções em tecnologia blockchain. Investidores convertiam recursos em ativos digitais que, segundo a empresa, eram “alugados” à Braiscompany e administrados por um ano, com rendimentos pagos como contrapartida pela locação desses criptoativos.
A empresa prometia retorno em torno de 8% ao mês, percentual considerado fora dos padrões usuais do mercado. Milhares de pessoas, especialmente em Campina Grande, aplicaram suas economias na empresa motivadas por recomendações de conhecidos, parentes e amigos.
As condenações e os procedimentos de extradição mantêm o casal sob monitoramento judicial nos dois países, enquanto não há definição sobre a data em que deverão cumprir as penas no Brasil.
Com informações de Jornaldaparaiba



