Jhony Bezerra, médico e ex-secretário estadual de Saúde, confirmou nesta terça-feira (03) que irá apoiar a pré-candidatura do prefeito Cícero Lucena (MDB) ao Governo do Estado. A decisão, segundo interlocutores, encerra uma relação marcada por desgaste e atritos dentro da base do governador João Azevêdo.

O desentendimento entre Jhony e o governo teve início ao final da campanha municipal de 2024, quando ele alcançou votação significativa em Campina Grande — cerca de 98 mil votos — e não retornou ao posto de secretário de Saúde. Em lugar da secretaria, recebeu a superintendência da Fundação PB Saúde, órgão que administra três ou quatro hospitais estaduais.

Na trajetória política local, Jhony foi figura importante para o PSB na região de Campina, tendo coordenado a campanha de João Azevêdo em 2022 e contribuído para o crescimento do partido e a eleição de uma bancada expressiva na cidade. Mesmo assim, passagens subsequentes demonstraram ressentimento: diretorias por ele indicadas foram substituídas por nomes ligados ao deputado Adriano Galdino (REP) e aliados seus tiveram exonerações publicadas no Diário Oficial do Estado.

Após deixar o PSB, Jhony migrou para outro caminho político, permanecendo, entretanto, filiado ao Avante. A nova posição complica a manutenção de um discurso de oposição ao prefeito Bruno Cunha Lima (UB) em Campina Grande, ao mesmo tempo em que o coloca em aliança com nomes como Romero, Cássio e Pedro, o que poderá exigir readequações perante o eleitorado que o apoiou.

Fontes próximas ao ex-secretário afirmam que a ruptura foi motivada, em grande parte, pelo chamado “fogo amigo” dentro da própria base, que teria tornado inviável sua estratégia para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Com a saída, o grupo do governador registra mais uma baixa, que se soma a outras desfiliações recentes, como as de Felipe Leitão, Hervázio Bezerra e do próprio Cícero, que em momento anterior integrava o bloco.

Decidido a concorrer a uma vaga em Brasília, Jhony optou por alinhar-se com quem considera aliados confiáveis e por enfrentar adversários sem o que descreve como interferência de aliados internos — expressão usada para justificar o rompimento.

A notícia marca mais um capítulo nas rearrumações da base política estadual, em um cenário de aproximações e distanciamentos à medida que se aproximam as eleições e os ajustes de alianças.

Com informações de Jornaldaparaiba