O Ministério Público da Paraíba (MPPB) realizou, na quarta-feira (4), uma inspeção no Hospital Metropolitano José Maria Pires motivada por denúncias de inconsistências em laudos de exames de imagem. A investigação foi deflagrada após reportagens e relatos de profissionais e pacientes divulgados pela TV Cabo Branco.
Segundo o MPPB, a diligência foi conduzida pela promotora de Justiça da Saúde da Comarca de Santa Rita, Gardênia Cirne de Almeida, como parte da apuração instaurada para verificar os erros apontados nos laudos. Durante a visita, a equipe inspecionou o Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI), o setor de radiologia e o serviço de telerradiologia responsável pela emissão dos exames.
A direção do Hospital Metropolitano informou ao Ministério Público que nove laudos apresentavam inconsistências, foram submetidos à revisão técnica e corrigidos, e que não houve registro de prejuízo assistencial aos pacientes. O médico responsável pela subscrição dos laudos apontados foi preventivamente afastado para apuração interna. O MPPB informou que dará continuidade às investigações e que “adotará as providências cabíveis”.
Sindicância aberta pela PB Saúde
A fundação PB Saúde, que administra o hospital, comunicou a abertura de uma sindicância e o afastamento de profissionais de uma empresa contratada para realizar os laudos. A apuração interna teria começado em 10 de fevereiro, após a Coordenação Médica da UTI Cardiológica sinalizar inconsistências em exames de radiologia emitidos por uma empresa de São Paulo.
Em nota, a PB Saúde disse que houve vistoria do MPPB e que foi elaborado um relatório detalhando as medidas adotadas pela administração e pela empresa responsável pela telerradiologia. Entre os afastados estaria o médico responsável pela empresa contratada. A fundação informou ainda que os laudos questionados foram revisados, reeditados quando necessário, e que especialistas foram consultados no processo.
A administração explicou ter notificado a empresa para apurar os erros e que integrantes da equipe médica envolvidos foram afastados. A PB Saúde afirmou estar em fase avançada de convocação de médicos radiologistas aprovados no último concurso para ampliar o quadro da unidade, e declarou que os laudos são de responsabilidade individual do profissional que os assina, afirmando que “não houve omissão” da administração.
Denúncias e apurações em outras instâncias
A TV Cabo Branco teve acesso a uma carta interna de profissionais da unidade que apontavam ocorrência reiterada de laudos sucintos e sem descrição técnica detalhada desde outubro, quando houve mudança na prestação do serviço, que passou de radiologistas do próprio hospital para uma empresa terceirizada. Em um dos relatos, um médico citou um caso em que imagem indicava aneurisma de aorta torácica de grandes dimensões e o laudo teria ignorado o diagnóstico.
O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) também abriu sindicância para apurar os laudos, informou o presidente Bruno Leandro. A corregedoria do CRM-PB conduzirá o processo; uma inspeção anterior na unidade já apontou pontos de melhoria, inclusive na UTI. O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) disse que recebeu denúncias de profissionais do hospital e acompanha o caso.
As investigações administrativas e as revisões dos laudos prosseguem enquanto as instituições envolvidas apuram responsabilidades e adotam medidas internas.
Com informações de Jornaldaparaiba



