A Fundação Paraibana de Gestão em Saúde instaurou uma sindicância administrativa depois de identificar inconsistências em laudos de radiologia no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita. As ações de apuração tiveram início em 10 de fevereiro, e os profissionais ligados ao serviço de telerradiologia foram afastados pela empresa responsável.
A ocorrência foi comunicada ao Ministério Público da Paraíba nesta quarta-feira (4), durante vistoria realizada pela promotora de Justiça Gardênia Cirne de Almeida na unidade hospitalar.
Apuração iniciada por alerta interno
Segundo a direção do hospital, a investigação interna começou logo após a Coordenação Médica da UTI Cardiológica registrar possíveis irregularidades em alguns laudos radiológicos.
A diretora-geral da unidade, Louise Nathalie, informou que a gestão adotou medidas imediatas para apurar os fatos.
Entre as providências implementadas estiveram:
- implantação de procedimento interno de investigação;
- revisão dos laudos radiológicos considerados suspeitos;
- consulta a especialistas da área para avaliação dos exames;
- afastamento do médico responsável pela empresa que presta o serviço de telerradiologia;
- refação e reemissão dos laudos apontados como questionáveis.
A direção afirma que todas essas ações foram concluídas antes de 27 de fevereiro, data em que a questão passou a ter repercussão na imprensa.
Empresa substituiu equipe e revisou procedimentos
Após notificação, a prestadora do serviço de telerradiologia comunicou ter substituído os profissionais envolvidos no caso. A empresa também declarou ter reforçado protocolos de diagnóstico, revisado os exames realizados e reemitido os laudos contestados.
Aumento do quadro próprio de radiologistas
O gerente executivo de Práticas Médicas da Fundação, Andiry Guedes, informou que a instituição trabalha para ampliar o quadro próprio de especialistas em radiologia. Segundo ele, a fundação está em fase avançada para convocar médicos radiologistas aprovados no último concurso público, como medida para reduzir a dependência de serviços terceirizados e aumentar a capacidade interna de atendimento.
Direção afirma que não houve prejuízo aos pacientes
O diretor técnico do hospital, Matheus Agra, ressaltou que o laudo radiológico é um ato médico individual e de responsabilidade do profissional que o assina. Ele acrescentou que não houve prejuízo aos pacientes, já que o laudo integra um conjunto de etapas do diagnóstico e passa por revisão do médico assistente e do profissional que realizou o procedimento.
Ministério Público acompanha investigação
A promotora Gardênia Cirne de Almeida e sua equipe inspecionaram as instalações do Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) da unidade durante a visita. O material fornecido pela direção do hospital será anexado à notícia de fato instaurada pelo Ministério Público, que analisará os documentos antes de definir os próximos encaminhamentos da investigação.
Com informações de Paraiba


