Casos recentes de agressões e abusos contra mulheres e meninas no Brasil têm evidenciado a persistência da violência de gênero e a necessidade de ampliar o debate: o combate a esse tipo de violência deve envolver também os homens.
A pauta, historicamente liderada por mulheres, avançou em denúncias e mobilizações, mas especialistas e ativistas destacam que não é possível delegar exclusivamente às vítimas a tarefa de confrontar um problema que se origina, em grande parte, em comportamentos e estruturas sociais compartilhadas por homens. Dizer que “não é machista” não basta; é preciso intervir sempre que atitudes discriminatórias surgirem.
Segundo o argumento central do texto original, a violência de gênero frequentemente se manifesta primeiro em práticas corriqueiras — piadas que rebaixam mulheres, comentários que objetificam corpos, desqualificação de opiniões e tentativas de controlar escolhas — que, quando toleradas, normalizam a desigualdade e criam ambiente propício a agressões mais graves.
O silêncio diante dessas situações é apontado como conivência. Em muitos ambientes de trabalho, rodas de amigos e espaços públicos, testemunhas preferem não reagir para evitar atritos, porém essa omissão ajuda a manter padrões prejudiciais. Por isso, a participação masculina é considerada essencial: homens podem e devem contestar falas ofensivas, apoiar vítimas, promover locais de respeito e contribuir para a formação de novas gerações com valores igualitários.
A educação é indicada como pilar para a mudança cultural. Famílias e escolas têm papel conjunto na formação de meninos e meninas que compreendam respeito mútuo, a importância do consentimento e a ideia de que mulheres não são propriedade. Essas práticas educacionais são vistas como fundamentais para interromper ciclos de violência que atravessam décadas.
Além da educação e da conscientização, o texto ressalta a necessidade de respostas efetivas do sistema de justiça. O Brasil avançou com legislações como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, mas persistem obstáculos para denúncias, entraves institucionais e sensação de impunidade em muitos casos. Defende-se a aplicação rigorosa das leis e o debate sobre aperfeiçoamentos e endurecimento de penas para crimes de violência doméstica e sexual, com o objetivo de reforçar a proteção às vítimas.
Também é destacado o papel do acolhimento: Estado e sociedade devem garantir estruturas de apoio, proteção e acompanhamento psicológico e jurídico para as vítimas que enfrentam medo, vergonha ou descrédito ao denunciar. A mudança cultural é lenta, mas começa em atitudes individuais; cada posicionamento e cada gesto de respeito contribuem para transformar mentalidades.
Violência contra a mulher é, portanto, responsabilidade coletiva, e a participação ativa dos homens é apresentada como condição essencial para reduzir e prevenir novos casos. Permanecer em silêncio diante da injustiça é assinalado como forma de conivência.
Janguiê Diniz é fundador e Presidente do Conselho de Administração do grupo Ser Educacional, Fundador da JD Business Academy, Presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo e da ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior
Com informações de Jornaldaparaiba




