O prefeito de Bonito de Santa Fé, Ceninha Lucena (Republicanos), afirmou em entrevista ao programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário do Sertão, nessa terça-feira (10), que as chamadas “pautas-bombas” em tramitação no Congresso Nacional ameaçam a capacidade financeira dos municípios e podem comprometer serviços públicos essenciais.
Ceninha relatou que esteve em Brasília no final de fevereiro para tratar do tema com a bancada de apoio do município, além de conversar com parlamentares e integrantes do governo sobre os efeitos das propostas em análise nas duas casas legislativas. Segundo ele, a pauta foi discutida com o objetivo de buscar alternativas que minimizem impactos para administrações locais.
Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM) citados pelo prefeito apontam que as propostas podem gerar um impacto da ordem de R$ 270 bilhões por ano às cidades brasileiras — montante próximo ao previsto para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em 2026. Ceninha estimou que o efeito para Bonito de Santa Fé ultrapassaria R$ 1 milhão por ano.
O prefeito destacou que Bonito de Santa Fé não tem indústrias e sobrevive principalmente da atividade de pequenos comerciantes, agricultores e dos servidores públicos municipais. Por isso, reforçou que a redução de repasses combinada ao aumento de despesas colocaria o município em situação ainda mais difícil.
Ceninha defende que encargos financeiros decorrentes de medidas como isenção do Imposto de Renda e a implementação de novos pisos salariais sejam custeados pela União, e não repassados aos municípios, principalmente os de menor porte. Segundo ele, a soma de menos arrecadação e mais gastos pode prejudicar áreas como saúde, educação, assistência social e infraestrutura.
Ao comentar a pauta, o prefeito afirmou que entende ser justo remunerar adequadamente servidores, mas questionou a viabilidade de cobrir reajustes sem aumento de receitas: “Todo mundo merece ganhar bem, todo mundo merece um bom salário. Mas, se lá em cima eles só se preocupam em aumentar os pisos e não aumentam nossa receita, como é que nós vamos cobrir esses pisos?”
Ceninha defendeu que o enfrentamento do problema passe pela união entre gestores, diálogo com parlamentares e responsabilidade na condução das propostas para evitar prejuízos à prestação de serviços públicos municipais.
Com informações de Diariodosertao



