Projetos de inteligência artificial (IA) ainda não estão convertendo investimento em ganhos econômicos na maioria das empresas, afirma Norbert Jung, CEO da Bosch Connected Industry. Em painel que antecipou novidades da Hannover Messe, feira global de tecnologia industrial, Jung avaliou que grande parte das iniciativas permanece em fase piloto e não entrega retorno comercial efetivo.

Segundo o executivo, o excesso de dados não se traduz automaticamente em valor: embora as empresas coletem volumes cada vez maiores de informação, isso nem sempre resulta em melhorias de produtividade ou resultados financeiros.

A declaração foi dada durante evento que precede a Hannover Messe, programada para ocorrer de 20 a 24 de abril em Hannover, cidade no Norte da Alemanha com cerca de 550 mil habitantes.

Caminhos para gerar valor

Para Jung, a solução passa pela combinação da IA com o conhecimento humano. O executivo defendeu a integração de máquinas, pessoas e algoritmos em um modelo de cointeligência na manufatura e afirmou que já há esforços para industrializar o uso de IA generativa.

O comentário do CEO da Bosch ecoa conclusão de relatório do Massachusetts Institute of Technology (MIT) intitulado O Estado da IA nos Negócios em 2025. O estudo aponta que, apesar de investimentos empresariais em IA generativa estimados entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões, 95% das organizações não estariam obtendo retorno econômico mensurável.

IA aplicada à robótica

Representantes do setor de robótica também relataram avanços na aplicação prática da IA. Sven Parusel, chefe de pesquisa da Agile Robots, disse que a tecnologia tem saído das telas e sido incorporada a braços e sistemas robóticos em espaços de manufatura. A empresa alemã, segundo Parusel, desenvolve desde 2018 braços e mãos robóticas, robôs móveis e humanoides.

Parusel citou um sistema de montagem de caixa de câmbio criado pela Agile que utiliza dois braços robóticos controlados por IA, com visão computacional para identificação de objetos. Ele destacou ganhos em velocidade, flexibilidade e facilidade de configuração da produção.

Brasil na Hannover Messe

O Brasil será o país homenageado na edição deste ano da feira, que também apresentará tecnologias de digitalização, automação, descarbonização e energia limpa. Estão confirmadas as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler alemão Friedrich Merz.

A participação brasileira incluirá pavilhões com área total de 2,7 mil metros quadrados organizados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Serão 140 expositores e uma delegação de 300 empresas.

Márcia Nejaim, representante regional da ApexBrasil, afirmou que o país tem potencial para se destacar em IA e citou instituições e empresas brasileiras que deverão marcar presença, como o Instituto Eldorado, Fu2re e Stefanini.

O repórter viajou a convite da Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe.

Com informações de Agência Brasil