A vereadora de João Pessoa Eliza Virgínia (PP) usou a tribuna da Câmara Municipal nesta quinta-feira (12) para atacar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Em discurso, Eliza classificou a escolha como um erro na condução do colegiado e reuniu parlamentares e mulheres em protesto contra a nomeação.

Durante a fala, a vereadora sustentou que a indicação de uma mulher trans para comandar a comissão não seria adequada para tratar dos temas específicos das mulheres cisgênero, afirmando que defenderá o direito de ser reconhecida como mulher. Ela comparou a designação à situação de nomear alguém sem alfabetização para chefiar a secretaria de Educação e criticou votos da deputada em matérias relacionadas ao aumento de penas para crimes de estupro, declarando que a postura de Erika teria caráter misógino.

Eliza também abordou o tratamento dado a pessoas trans em debates sobre identidade de gênero. Em seu discurso, questionou termos usados na discussão pública — como referências a pessoas que gestam ou menstruam — e afirmou que, se essas denominações forem permitidas, ela poderia empregar termos sobre características físicas dos demais. A vereadora indicou que a reação faz parte de um movimento de deputadas e mulheres pelo país para “corrigir” o que considerou um equívoco.

Eleição na Câmara

A eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher ocorreu na quarta-feira (11). Erika Hilton foi eleita com 11 votos, enquanto foram registrados dez votos em branco. Ela sucede a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) no comando do colegiado.

No discurso de posse, Hilton destacou o valor simbólico de ser a primeira mulher trans a ocupar a presidência da comissão e disse que pretende administrar o órgão com diálogo. Segundo a nova presidente, a gestão contemplará diferentes realidades femininas, citando mães solo, trabalhadoras, mulheres negras, indígenas e outras em situação de vulnerabilidade.

Entre as prioridades anunciadas pela deputada estão a fiscalização da rede de proteção e das Casas da Mulher Brasileira, o enfrentamento da violência política de gênero e a promoção de políticas de saúde integral para as mulheres.

Polêmicas envolvendo Eliza

Eliza Virgínia vem sendo alvo de controvérsias por sua atuação pública. Em outubro do ano passado, a Justiça Comum determinou que ela retirasse publicações de suas redes sociais por discursos considerados de ódio contra a comunidade LGBTQIA+. Em seguida, a vereadora compareceu à tribuna com a boca vendada em ato de protesto.

Além disso, há um processo em andamento na Justiça Federal, movido pelo Ministério Público Federal (MPF), que acusa Eliza de incitação ao ódio e discriminação contra pessoas LGBTQIA+ em postagens nas redes sociais.

A disputa e as manifestações públicas seguem sem alterações formais na composição da comissão, e os grupos que se opuseram à eleição mantêm atos e declarações contrárias à presidência de Erika Hilton.

Com informações de Jornaldaparaiba