A Polícia Civil informou que a mulher descoberta carbonizada dentro de uma mala no bairro de Manaíra, em João Pessoa, na terça-feira (10), foi morta pelo próprio namorado. O homem, por sua vez, foi localizado morto na quinta-feira (12) no bairro João Agripino. O caso é investigado como feminicídio.

Segundo a apuração policial, a vítima é Chantal Etiennette Dechaume, 73 anos, de nacionalidade francesa. O suspeito de tê-la matado foi identificado como Altamiro Rocha dos Santos, natural do Rio Grande do Sul. Conforme as investigações, o casal começou a se relacionar durante a pandemia, período em que Chantal passou a ajudá-lo.

A polícia aponta que Altamiro teria assassinado a mulher e, em seguida, combinado com um homem em situação de rua para atear fogo ao corpo. De acordo com a investigação, o incendiário aceitou o crime em troca de droga. As imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que o corpo é incendiado; esse homem ainda não foi localizado até a última atualização.

O Instituto de Polícia Científica (IPC) informou que o médico legista Flávio Fabres constatou que a causa da morte foi por golpes de faca na região do tórax. A Polícia Civil acrescentou que Chantal não aceitava o uso de drogas por parte do companheiro e que houve uma discussão entre eles registrada por vizinhos nas semanas anteriores, embora o relacionamento não fosse marcado por brigas constantes, conforme os investigadores.

Passo a passo do caso

  • 07/03 (Sábado) – 17h35 (Brasília UTC-3) – Vítima saiu do apartamento;
  • 07/03 (Sábado) – 18h30 – Vítima retorna para o apartamento, e não sai mais;
  • 09/03 (Segunda) – 22h00 – Namorado dela sai com o galão para comprar álcool;
  • 09/03 (Segunda) – 22h16min – Namorado retorna com o galão com álcool;
  • 10/03 (Terça) – 22h06min – Namorado sai do apartamento com o corpo da vítima dentro de mala;
  • 10/03 (Terça) – 22h36min – Namorado deixa o corpo da vítima na calçada;
  • 10/03 (Terça) – 23h04min – Namorado retorna ao apartamento com o carrinho que levou a mala;
  • 11/03 (Quarta) – 01h50min – Namorado retorna ao local com o galão de álcool e encontra com um morador de rua;
  • 11/03 (Quarta) – 01h55min – Homem em situação de rua ateou fogo na vítima.

Na manhã de quinta-feira (12), moradores encontraram o corpo de um homem no bairro João Agripino, com mãos e pés amarrados e uma lesão profunda no pescoço — descrita pela polícia como esgorjamento. Segundo a delegada Maria das Dores, ninguém na região reconheceu a vítima no local e nenhum parente compareceu.

A Polícia Civil suspeita que a morte de Altamiro tenha ligação com integrantes de uma facção criminosa, que teriam reagido ao fato de o crime ter atraído a atenção das autoridades para a área de Manaíra. Nenhuma prisão relacionada a essa possível retaliação foi registrada até o momento. O caso de Chantal foi considerado elucidado pela corporação, enquanto um inquérito permanece em andamento para apurar a morte do homem.

Como a vítima é francesa e não tem parentes na Paraíba, a polícia informou que deve acionar o consulado da França para localizar familiares que possam providenciar a retirada do corpo. No caso de não haver parentes para o homem encontrado em João Agripino, a corporação planeja contatar a Polícia Civil do Rio Grande do Sul para checar eventuais familiares.

As investigações continuam para apurar responsabilidades e localizar o homem em situação de rua que ateou fogo ao corpo, além de esclarecer os detalhes sobre a possível participação de terceiros na morte do suspeito localizado no João Agripino.

Com informações de Jornaldaparaiba