O Ministério da Previdência Social e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram, nesta quinta-feira (12 de março de 2026), uma parceria voltada à capacitação de gestores e analistas de fundos de pensão para integrar critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) nas decisões de investimento.

A cooperação técnica e educacional será dirigida às Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) e tem como objetivo fortalecer a capacidade dessas instituições de avaliar riscos, especialmente os relacionados à transição ecológica e aos efeitos das mudanças climáticas. Conforme o acordo, a atuação será informativa e orientativa, sem caráter normativo.

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que, desde a COP30, a pasta vem examinando os impactos socioambientais dos investimentos dos fundos de pensão e que a parceria representa uma medida prática para incorporar essas preocupações nas carteiras previdenciárias. Para ele, a sustentabilidade financeira continua sendo central, mas tornou-se imprescindível considerar os riscos climáticos e as oportunidades em energia renovável.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a experiência do banco em financiamento sustentável e na análise de riscos climáticos, colocando essa expertise à disposição dos fundos de pensão. Segundo Mercadante, o BNDES já se consolidou como referência global no financiamento de projetos sustentáveis e é apontado como o maior financiador de energia renovável no mundo e de ônibus elétricos na América Latina.

Desde 2023, informou o BNDES, foram mobilizados R$ 7 bilhões para iniciativas de conservação, recuperação e manejo de florestas, o que o banco calcula ser equivalente ao plantio de cerca de 280 milhões de árvores. O governo vê a aproximação dos recursos dos fundos de pensão com projetos da transição ecológica como uma estratégia para ampliar o financiamento de longo prazo da economia.

Sem caráter regulatório

A implementação da cooperação ficará a cargo da Secretaria de Regime Próprio e Complementar e da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). As ações previstas visam ampliar o conhecimento técnico dos gestores sem impor mudanças regulatórias às entidades, preservando a autonomia das EFPCs na administração de suas carteiras.

A iniciativa também está alinhada à Resolução CMN nº 5.202/2025, que recomenda a inclusão de fatores ambientais, sociais e de governança na avaliação de riscos dos investimentos realizados por fundos de previdência complementar. Atualmente, os fundos de pensão brasileiros administram mais de R$ 1 trilhão em ativos.

O acordo foi apresentado como um esforço conjunto para qualificar a gestão dos recursos previdenciários em um cenário de transição energética e de crescente atenção aos riscos climáticos.

Com informações de Agência Brasil