João Pessoa — A mulher localizada carbonizada dentro de uma mala no bairro de Manaíra foi identificada pela Polícia Civil da Paraíba como Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, médica aposentada e de nacionalidade francesa. Segundo as investigações, o companheiro dela, identificado como Altamiro Rocha dos Santos, é o principal suspeito do crime, tratado como feminicídio.
O corpo de Chantal foi achado na madrugada de quarta-feira, 11 de março, após ser incendiado em via pública. Imagens de câmeras de segurança registraram um homem ateando fogo ao corpo em frente a um edifício na Rua Francisco Brandão; esse suspeito, porém, não corresponde ao que a polícia aponta como autor das facadas que causaram a morte.
O laudo do Instituto de Polícia Científica (IPC), segundo o médico legista Flávio Fabres, apontou que a morte foi provocada por perfurações no tórax. A Polícia Civil informou que Chantal já estava sem vida quando o corpo foi acondicionado na mala.
Cronologia
A investigação detalha movimentações do casal entre os dias 7 e 11 de março, com registros em imagens de segurança. Conforme a polícia:
– 07/03 (sábado) – 17h35 (Brasília UTC-3): a vítima saiu do apartamento;
– 07/03 (sábado) – 18h30: ela retornou ao imóvel e não saiu mais;
– 09/03 (segunda) – 22h00: o namorado saiu com um galão para comprar álcool;
– 09/03 (segunda) – 22h16: ele voltou com o galão;
– 10/03 (terça) – 22h06: o suspeito saiu do apartamento com a mala contendo o corpo;
– 10/03 (terça) – 22h36: o corpo foi deixado na calçada;
– 10/03 (terça) – 23h04: o homem retornou ao apartamento com o carrinho usado para transportar a mala;
– 11/03 (quarta) – 01h50: o suspeito voltou ao local com o galão e encontrou um morador em situação de rua;
– 11/03 (quarta) – 01h55: o homem em situação de rua ateou fogo no corpo.
A polícia afirma que Altamiro teria reagido ao término do relacionamento motivado pela dependência química dele, e que esse teria sido o motivo do crime, conforme relatado nas investigações.
Vida da vítima e providências
Após se aposentar da medicina, Chantal estabeleceu residência em João Pessoa. A Polícia Civil informou não ter detalhes sobre o ano de chegada dela ao Brasil nem o tempo exato de residência na capital paraibana. Ela morava em um apartamento no bairro de Tambaú e recebia aposentadoria do exterior com valor convertido estimado em cerca de R$ 40 mil mensais. Parte desse recurso, segundo as apurações, era utilizada para o sustento do namorado, que não teria renda fixa.
Chantal teria conhecido Altamiro na orla de João Pessoa, onde ele vendia artesanato. Durante a pandemia, ela o teria acolhido em sua casa e passado a ajudá-lo financeiramente; a data de início do relacionamento não foi precisada pela polícia.
Como a vítima era estrangeira e não tinha parentes conhecidos na Paraíba, a Polícia Civil informou que deverá contatar o consulado da França no Brasil para localizar possíveis familiares que possam autorizar a liberação do corpo.
A polícia também investiga a relação entre este caso e a descoberta, na manhã de quinta-feira (12), de um homem encontrado morto no bairro do João Agripino com mãos e pés amarrados e uma lesão profunda no pescoço. A Delegacia considera que os dois episódios possam ter conexão.
As apurações seguem em curso para identificar plenamente todos os envolvidos e responsabilizar os autores.
Com informações de G1



