Sara Cardoso, professora, contou em entrevista ao telejornal Bom Dia Paraíba, na série especial “Onde Ela Estiver”, que viveu violência psicológica em dois relacionamentos abusivos. Segundo ela, os sinais apareceram de forma sutil no começo e foram crescendo até comprometer a liberdade e as relações sociais.

Inicialmente, Sara interpretou o ciúme e a posse como algo contornável, mas os episódios foram se intensificando. Ela relatou que os parceiros atribuíam o comportamento agressivo ao fato de ela ser “muito bonita” e atraente, tentando, assim, transferir a responsabilidade para ela. Isso gerou uma sensação constante de culpa imposta.

No segundo relacionamento, a possessividade evoluiu para perseguição e controle. A professora disse que o companheiro conseguia localizá-la em qualquer lugar e, ao ser confrontado, justificava as atitudes como cuidado, zelo ou proteção. Essa vigilância permanente passou a impor a obrigação de estar sempre ao lado dele, reduzindo a autonomia de Sara.

O isolamento, característica frequente da violência psicológica, também foi destacado pela entrevistada. Ela descreveu o momento em que percebeu que não mantinha conversas com amigos e familiares, e que as relações fora do casal haviam sido progressivamente silenciadas, deixando-a praticamente só.

A socióloga Evellyne Tamara explicou que esse tipo de agressão é simbólica e silenciosa, o que dificulta a reação das vítimas. Ela afirma que a naturalização social desses comportamentos cria uma falsa sensação de normalidade, embora se trate de uma construção social e não de algo natural.

Sara também apontou fatores externos que contribuíram para a manutenção do ciclo abusivo: a juventude, a falta de independência financeira e orientações de cunho religioso que, em sua visão, reduziram as alternativas disponíveis. Ela mencionou ainda que as mulheres vêm sendo mais instruídas a identificar abusos, enquanto, segundo ela, os homens não recebem, na mesma medida, orientações sobre mudar comportamentos nocivos.

A violência psicológica não deixa sinais físicos visíveis, mas toma o controle da vida da vítima e pode levá-la a relativizar o abuso. A legislação brasileira trata dessa violência no âmbito da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340), e especialistas recomendam formalizar denúncias para romper o ciclo de controle.

Mulheres em situação de violência podem procurar os canais de atendimento: 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 197 (denúncia à Polícia Civil).

Com informações de G1