O farmacêutico e bioquímico Bruno Fernandes, do Laboratório de Análises Clínicas Dr. Ivan Cavalcanti, explicou, no programa Olho Vivo da Rede Diário do Sertão, como o metanol presente em bebidas alcoólicas adulteradas pode provocar cegueira e levar ao óbito. A entrevista foi concedida em 13 de outubro de 2025, data em que o Brasil já registrava cinco mortes confirmadas por intoxicação e dezenas de casos em investigação.
Como o metanol age no organismo
De acordo com Fernandes, após ser ingerido, o metanol é metabolizado no fígado e convertido em formaldeído. Em seguida, essa substância gera ácido fórmico, composto que causa danos severos ao sistema nervoso central e, em especial, ao nervo óptico. “Bastam 10 ml para existir potencial de cegueira e 100 ml podem ser fatais”, alertou.
O especialista acrescentou que a agressividade do ácido fórmico pode exigir hemodiálise para remoção do tóxico circulante. Em muitos casos, médicos iniciam o tratamento antes mesmo de a toxicologia confirmar a presença de metanol, diante dos sintomas apresentados.
Suspeita de adulteração
Fernandes suspeita que destilados estejam sendo misturados ao metanol para aumentar o teor alcoólico sem elevar o custo de produção. Durante a destilação regular, o resíduo dessa substância é descartado justamente por seu alto risco à saúde, processo que estaria sendo negligenciado nos lotes adulterados.
Casos em investigação
Dados do Ministério da Saúde indicam 246 notificações de intoxicação após consumo de bebida alcoólica, das quais 29 foram confirmadas e 217 permanecem sob análise. Outros 249 registros foram descartados. O estado de São Paulo concentra 160 investigações, seguido de Pernambuco (31), Rio Grande do Sul (4), Mato Grosso do Sul (4), Piauí (4), Rio de Janeiro (3), Espírito Santo (3), Goiás (2), Alagoas (1), Bahia (1), Ceará (1), Minas Gerais (1), Rio Grande do Norte (1) e Rondônia (1). Das cinco mortes confirmadas, todas ocorreram em São Paulo; outras 12 seguem em apuração.
Imagem: Diário do Sertão
Chegada de antídoto ao SUS
Na semana anterior à entrevista, o Ministério da Saúde recebeu 2,5 mil unidades de fomepizol, antídoto utilizado no tratamento de intoxicações por metanol. O lote foi adquirido por meio do Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A Paraíba, por exemplo, recebeu 28 ampolas para reforçar o atendimento emergencial.
Entre as vítimas está a designer de interiores Radharani Domingos, 43 anos, que perdeu a visão após consumir uma caipirinha em um bar da zona oeste de São Paulo em 19 de setembro. O estabelecimento foi interditado pela Vigilância Sanitária.
Com informações de Diário do Sertão




