Embate público entre Executivo e presidente do IMB sobre os dados econômicos do estado

O secretário da Fazenda da Paraíba, Marialvo Laureano, e o economista e presidente do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), Erik Figueiredo, protagonizam um confronto sobre a leitura dos indicadores econômicos do estado. O governo estadual tem destacado projeções positivas — como o crescimento do PIB paraibano de 3,5% em 2026, estimativa que colocaria o estado como o sexto maior crescimento do país, acima da média nacional de 2,0% e do Nordeste de 2,2% — e uma disponibilidade de caixa líquida de R$ 4 bilhões, o terceiro maior volume entre os estados, atrás apenas do Paraná e de São Paulo. A previsão também aponta crescimento da indústria da Paraíba em 2,3% até dezembro deste ano.

Em nota, o titular da Fazenda ressaltou ainda que a Paraíba foi o único estado do Nordeste a obter a classificação “CAPAG A” (Capacidade de Pagamento) da Secretaria do Tesouro Nacional por cinco anos consecutivos (2021–2025), argumentando que o governo “faz o dever de casa”, aumentou o consumo das famílias e a geração de empregos.

Figueiredo, no entanto, pediu cautela diante da celebração fiscal e afirmou que outros indicadores sociais e econômicos mostram fragilidades. Segundo ele, a participação da Paraíba no Produto Interno Bruto (PIB) nacional é inferior a 1% e permanece estagnada. O economista afirmou ainda que o valor adicionado da indústria paraibana representa 0,28% do valor da indústria nacional, que há alta desigualdade de renda, informalidade acima de 50% e que mais da metade da população estaria abaixo da linha de pobreza. Em sua avaliação, o crescimento econômico não tem sido acompanhado pela distribuição da riqueza.

Em resposta à nota do secretário, Figueiredo informou ter seguido a sugestão de “se debruçar” sobre outros indicadores e apresentou dados relativos ao período da atual gestão. Entre as informações citadas pelo presidente do IMB estão: queda da participação da indústria de transformação da Paraíba no valor adicionado do Brasil de 0,5% em 2019 para 0,4% em 2023; recuo similar no setor agropecuário (de 0,7% para 0,6% no Brasil e de 3,7% para 3,6% no Nordeste); e redução da participação estadual no PIB nacional de 0,92% em 2019 para 0,89% em 2023, com a participação no PIB do Nordeste caindo de 6,5% para 6,4% no mesmo período.

Sobre o mercado de trabalho, Figueiredo apontou que o número de ocupados na informalidade aumentou de 776.356 para 825.339 nos últimos sete anos, acréscimo de 48.984 pessoas, ou 6,31%, índice superior às variações registradas no Nordeste (4,5%) e no Brasil (4,96%), o que posiciona a Paraíba como o sétimo maior aumento da informalidade entre os estados. Ele também citou que o rendimento médio real do trabalho no estado avançou R$ 354 no período, abaixo da média nacional de R$ 368 e distante dos maiores aumentos, como no Amapá (R$ 729) e em Goiás (R$ 726).

Figueiredo destacou ainda a composição da renda domiciliar: 9,1% da renda per capita provém de programas sociais, colocando a Paraíba entre os dez estados mais dependentes dessa fonte; 21% da renda domiciliar vem de aposentadorias e pensões (acima dos 19,9% do Nordeste e dos 16,8% do Brasil); e a participação da renda do trabalho é de 65,7%, abaixo do Nordeste (67,3%) e do Brasil (74,9%).

O economista citou estimativas do IBGE/TCU para afirmar que a Paraíba tem cerca de 4,2 milhões de habitantes, mais de 60% cadastrados no Cadastro Único e, entre os cadastrados, 61,4% que recebem o Bolsa Família, o que implicaria aproximadamente 38% da população dependente do programa.

Na troca de declarações, Figueiredo disse que não questiona o desempenho fiscal do estado, mas que os resultados fiscais não devem ser tomados como suficiente para comprovar sucesso na política econômica, e criticou a postura do secretário ao pedir que outros observadores se “debrucem” sobre os números.

O embate público permanece em torno da interpretação dos indicadores: o governo exalta a solidez fiscal e projeções de crescimento; o economista destaca queda de participação industrial, aumento da informalidade e ampla dependência de transferências sociais.

Com informações de Jornaldaparaiba