O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, defendeu a criação de um novo Plano Brasil Soberano para socorrer empresas exportadoras afetadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos. As declarações foram feitas nesta terça-feira (17) durante a apresentação do balanço financeiro de 2025, na sede do banco no Rio de Janeiro.

Transmissão: Band

Mercadante argumentou que o programa original, lançado em agosto de 2025, deveria ter uma segunda edição — chamada por ele de “Brasil Soberano 2” — com alcance ampliado para incluir setores que apresentam déficit comercial, segmentos estratégicos e ramos atingidos por efeitos de conflitos internacionais.

O Plano Brasil Soberano inicial financiou R$ 19,5 bilhões em 2025 para 676 empresas, segundo o balanço apresentado. Do montante destinado ao programa, Mercadante informou que ainda há R$ 6 bilhões disponíveis no caixa do BNDES, o que, na avaliação do presidente, permitiria a implementação de um novo pacote sem custo adicional ao orçamento público, desde que haja definição legal aprovada pelo Congresso — possivelmente por meio de medida provisória.

O presidente destacou que, embora uma decisão recente da Suprema Corte dos EUA tenha derrubado o chamado “tarifaço” de Trump, que chegou a aplicar alíquotas de até 50%, e o governo americano tenha adotado depois uma tarifa global de 15%, alguns setores continuam sujeitos a tributações mais elevadas. Ele citou a Seção 232 da legislação dos Estados Unidos como instrumento que permite impor tarifas por motivos de segurança nacional e mencionou alíquotas de 50% para siderurgia, alumínio e cobre, e de 25% para o setor automotivo e autopeças.

Articulação política e setores prioritários

Mercadante informou que há diálogo avançado com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de conversas com o Ministério da Fazenda, cabendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão final. Ele defendeu incluir no novo programa também setores que costumam ter saldo negativo no comércio exterior e segmentos estratégicos, como fertilizantes, cuja produção é afetada por conflitos na Ucrânia, na Rússia e no Irã.

Raízen e recuperação extrajudicial

O presidente do BNDES afirmou ainda que o banco está empenhado em contribuir para uma solução para a situação financeira da Raízen, que entrou com pedido de recuperação extrajudicial na semana anterior. A proposta de renegociação da companhia alcança R$ 65,1 bilhões. O BNDES recorda que, em janeiro de 2025, aprovou financiamento de R$ 1 bilhão para produção de etanol de segunda geração.

Segundo Mercadante, a dívida da Raízen junto ao BNDES possui garantias reais e não será incluída na renegociação, mas o banco busca participar da construção de uma solução com credores, Shell e Cosan, sem detalhar medidas específicas.

Questão da jornada 6×1

Ao ser questionado sobre eventual apoio financeiro do BNDES a empresas que sofram impacto caso seja aprovada a proposta que elimina a escala de trabalho 6×1, Mercadante afirmou que o banco está estudando o assunto, mas aguarda uma posição oficial do governo antes de tomar qualquer decisão.

As informações apresentadas pelo presidente do BNDES fazem parte do balanço de 2025 e das discussões em curso sobre instrumentos de apoio a setores vulneráveis às medidas tarifárias internacionais.

Com informações de Agência Brasil